Terça-feira, 16 de Outubro de 2007
As ideias de Luís Filipe Menezes


03.10.2007, Rui Ramos

 
Um sucesso seu só poderia significar que os portugueses desistiram de qualquer esforço sério para prosperar
Escutemos Mário Soares. No sábado passado, pediu-nos para não nos rirmos. E é preciso que a política portuguesa tenha chegado a um ponto baixo para que o riso seja a reacção mais previsível ao facto de, na noite da última sexta-feira, ter deixado de haver oposição em Portugal. Foi esse o significado da eleição de Luís Filipe Menezes para presidente do PSD, no fim de um processo eleitoral que a sua candidatura sempre denunciou como fraudulento - até ao momento em que lhe deu a vitória. Muita gente, entretanto, já analisou o "estilo populista" de Menezes. Falta tratar das suas ideias (sim, das ideias).
É costume reduzir o PSD à dialéctica comezinha do egoísmo dos "notáveis" e da espontaneidade das "bases". Mas há nesta história mais do que isso. Depois de Cavaco Silva, os líderes do PSD viram-se perante duas apostas possíveis: ou a autonomia da sociedade civil, em contraste com a esquerda; ou o paternalismo de Estado, em confusão com a esquerda. Nunca optaram, deixando o partido dividido, a marinar numa guerra civil, umas vezes exacerbada por zangas pessoais, outras vezes temperada pela comunhão de interesses privados. Ao eleger Menezes, o PSD escolheu finalmente - o pior.
Como explicou a 12 de Julho, no seu blogue, Menezes atribuiu-se a si próprio a missão de "salvar" este Estado Social, exterminando em Portugal a heresia do "capitalismo selvagem". Uns dias antes, fez-se fotografar à mesa com vários antifascistas, em digestão colectiva desse santo propósito. Não há aqui novidade. Há mais de dez anos que Menezes recenseou os seus inimigos: "sulistas, elitistas e liberais". Nesta lista negra, cabe muita gente. Além dos que tiveram o infortúnio de nascer na metade maldita de Portugal, inclui os que aspiram a mais do que à mediocridade, ou preferem outro modelo social, assente na iniciativa e responsabilidade dos cidadãos.
Se Menezes quisesse criar uma alternativa ao actual Governo, precisaria deles. Porque é nas suas aspirações e ideias que estão as melhores razões para uma oposição que pretendesse ser mais do que a mera exploração oportunista e demagógica dos cortes impostos pela viabilização do Estado Social. Menezes julga que a confusão com a esquerda (e a que esta chama "populismo") o levará longe. Talvez não leve. Vai permitir ao Governo, por comparação, fazer figura de esclarecido e respeitável. E se Sócrates fechar menos maternidades nos próximos anos, Menezes arrisca-se a ficar sem assunto, a não ser o da guerra doméstica do partido. Será a oposição virada para dentro.
Menezes, porém, parece confiante. Traz no bolso, por aviar, uma receita singela e indolor para todos os males da pátria. Mostrou-a no debate televisivo com Mendes. Consiste num grande programa de obras públicas acordado com uns quantos construtores civis. Menezes acredita no Estado como motor principal da economia. Perante um Governo que pretende salvar Portugal distribuindo computadores, a sua contraproposta é expandir o betão. Para ele, o país é uma autarquia um pouco maior. Imagina-se, no Governo, como o presidente da Câmara Municipal de Portugal.

O seu panegírico no YouTube exalta-o como "o construtor do futuro dos nossos filhos". Está aqui toda uma mentalidade: a de alguém incapaz de imaginar que possa haver quem prefira que o futuro dos filhos seja obra dos próprios filhos, e não de um qualquer autoproclamado "construtor". Menezes vai funcionar, assim, nos próximos tempos, como um indicador do ânimo nacional: um sucesso seu só poderia significar que os portugueses desistiram de qualquer esforço sério para prosperar através do trabalho competitivo numa economia mundial, conformando-se com o caldo das repartições e obras
públicas.
A vitória de Menezes afunilou os horizontes dos partidos portugueses: tirando o CDS, que optou por tudo sem optar por nada, todos perfilham o estatismo nas suas diversas variantes. De resto, Menezes marcou os limites de uma certa maneira de fazer política. Marques Mendes perdeu quando a sua inocência ideológica o impediu de desmascarar o projecto de Menezes, deixando este surgir simplesmente como o candidato da insatisfação. Com Mendes, perderam todos aqueles que, no PSD, não apareceram e não deixaram que outros aparecessem, convencidos de que lhes convinha manter Mendes, por enquanto, como caseiro no partido. Segundo esses especialistas do "ciclo político", exímios na gestão das ausências e meias tintas, "era cedo". Afinal, era tarde. Mas lembremo-nos do conselho de Mário Soares: é melhor não nos rirmos.



publicado por psylva às 16:48
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2 comentários:
De maria a 25 de Março de 2016 às 18:46
Bom-dia o Sr. /Mme

Venho por este presente correio eletrónico vocês proponho os meus serviços de concessão de financiamento se estiver bem na necessidade. O financiamento é concedido nas boas e melhores condições de acordo com a legislação francesa “NENHUMAS DESPESAS QUALQUER QUE NATUREZA QUE SEJA NÃO SERÁ VERTER ANTES da OBTENÇÃO do VOSSO EMPRÉSTIMO”.

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De maria a 25 de Março de 2016 às 18:50
Bom-dia o Sr. /Mme

Venho por este presente correio eletrónico vocês proponho os meus serviços de concessão de financiamento se estiver bem na necessidade. O financiamento é concedido nas boas e melhores condições de acordo com a legislação francesa “NENHUMAS DESPESAS QUALQUER QUE NATUREZA QUE SEJA NÃO SERÁ VERTER ANTES da OBTENÇÃO do VOSSO EMPRÉSTIMO”.

PS: Os prazos máximos para a obtenção é naturalmente de 72 heurs assim, as minhas condições convêm-vos e que respeita-o à carta se for interessam quer contactam-me via esmalte: mariamauricette@gmail.com


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