Segunda-feira, 20 de Março de 2006
Danças com ‘rottweilers’



Domingos Amaral




Não há um único português que não demonstre uma grande garganta e uma bravata de toureiro em defesa da sacrossanta ”liberdade de expressão”.

A crise dos ‘cartoons’ lembrou-me uma história, cujos protagonistas são um homem e um ‘rottweiler’ que todos os dias se cruzavam na rua. Um dia, o homem decidiu que ia dançar em frente do ‘rottweiler’, só para o provocar. O ‘rottweiler’ obviamente atacou-o. A caminho do hospital, a sangrar de várias feridas, o homem gritava que tinha o direito de dançar na rua, em frente de quem ele quisesse. Houve gente que defendeu energicamente o seu ”direito à dança”. Eu acho o homem um parvo.
Se criticar a Opus Gay, sou considerado um sinistro homofóbico. Se defender o Ku Klux Klan, ou atacar a comunidade negra, sou um porco racista. Se gozar com câmaras de gás, e escrever holocausto com letra pequena, sou um sacana de um anti-semita. Se ofender os ciganos, sou xenófobo. E, se defender Hitler e usar uma suástica, sou considerado um canalha nazi. Porém, se fizer um ‘cartoon’ de um Maomé bombista, o mundo levanta-se a defender a minha ”liberdade de expressão”. Infelizmente, o que esta crise confirmou é que os muçulmanos estão agora no fim da escala de valores ocidental. Não têm, como outros grupos ou raças, direito a ”discriminação positiva”. Pelo contrário, são odiados. São, como disse Sarkozy, ”escumalha”. Osama conseguiu unir o Ocidente pela raiva.
Somos todos dinarmaqueses? Quem tentou imitar o ”somos todos americanos” do ”Le Monde” do dia 12 de Setembro de 2001, esqueceu um detalhe: no 11 de Setembro, a América foi vítima de um ataque que matou quase 3000 pessoas. Na crise dos ‘cartoons’, os agressores iniciais (os cartoonistas e o jornal dinamarquês) tornaram o seu país, a Dinamarca, numa vítima dos radicais islâmicos. Foi um processo estranho e complexo, mas que não convida à solidariedade. A única coisa que aprendi sobre a Dinamarca é que lá também existem idiotas. Nada de surpreendente, há-os em todos os países. Mas, não costumo solidarizar-me com eles. Este desejo de unir o Ocidente (o ”somos todos”) é perigoso. Não somos todos idiotas, nem somos todos de extrema-direita. Entre um muçulmano radical e um ocidental radical, venha o Diabo e escolha. Eu não escolho. Quem aceitar o ”nós” contra ”eles”, aceita e promove a armadilha terrorista.

Em Portugal, existem imensos especialistas no Islão. Não há ‘opinion maker’ que não tenha a sua teoriazinha islâmica. O Islão é ”agressivo”, o Islão é ”fanático”, o ”Islão é político”, o ”Islão está em guerra”, etc. Uma das coisas boas de ler a imprensa portuguesa é que substitui qualquer necessidade de ler livros de história. Desde a mil vezes repetida máxima de que ”no Islão não há separação entre a religião e o Estado”, até às menos óbvias teorias invocando ”a queda de Granada”, tivemos direito a tudo. Eu confesso que sei pouco sobre o Islão. Mas sei que Maomé é o profeta deles. Insultá-lo ofende todos os muçulmanos, sejam moderados ou fanáticos, e isso é perigoso. E estúpido.

Em Portugal, existem também inúmeros corajosos. Há imensa gente que não vai ”ceder” ao medo, que vai ”combater pela nossa civilização”, que nunca irá ”capitular” ou ”ceder à chantagem dos fanáticos”. É por isto que amo apaixonadamente Portugal. É tão tuga, tão ”agarrem-me se não eu vou lá”, tão passional na defesa dos ”valores”. É divertido, pois sendo Portugal um país com pouca experiência de guerras ou ataques terroristas, não há um único português que não demonstre uma grande garganta e uma bravata de toureiro em defesa da sacrossanta ”liberdade de expressão”. Podemos portanto dormir tranquilos. Há uma vanguarda prontinha a puxar pelo gatilho. Esta ”retórica belicista”, à superfície apenas tonta, revela um desejo confrontacionista profundo, e é a crista de uma onda populista anti-islâmica que varre a Europa como um perigoso ‘tsunami’. Que existia um ‘tsunami’ anti-ocidental no Islão, já sabíamos, mas não sabíamos que existia um ‘tsunami’ anti-Islão na Europa. Como Osama queria, e o Irão deseja. Quem contrariar estes ‘tsunamis’ é, notem bem, cobarde.

”A guerra do Terror” veio para ficar. Aumentou brutalmente o número de Ocidentais mortinhos por atacar à bomba o Irão. Obviamente, isso não será considerado uma ”agressão ocidental”, mas um acto perfeitamente justificado, perante as circunstâncias.



publicado por psylva às 08:24
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2 comentários:
De Fres a 1 de Abril de 2006 às 19:34
Não andas a esquecer-te de tomar os comprimidezinhos?


De Anti-muçulmano a 6 de Janeiro de 2007 às 18:40
Pergunta pelo Islão às famílias dos 3000 inocentes assassinados em N.Y
Pergunta pelo Islão às famílias das centenas de inocentes assassinados em Madrid
Pergunta pelo Islão às famílias das centenas de inocentes assassinados em Londres
Pergunta pelo Islão às famílias das centenas de inocentes assassinados na Indonésia


Pergunta pelo Islão às famílias dos incontáveis inocentes assassinados pelos pacíficos seguidores de uma religião pacífica e evoluida.

Tem vergonha e desaparece de vez e vai viver no meio desses vermes. não queremos cá gente como tu!

Verme!



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