Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2006
Como ler o OE
Luís Cabral




Na minha última coluna, tratei do problema do despesismo, a tendência natural (?) para os governos cederem a interesses especiais e embarcarem em despesas que não necessariamente correspondem ao interesse colectivo.

Hoje escrevo sobre outro motivo que permite a manutanção de um Estado caro: a falta de informação.

Quando um cidadão usufrui de um bem ou serviço fornecido pelo Estado, raramente paga (directamente) mais do que uma pequena fracção do custo desse bem ou serviço. Muitas vezes – talvez mesmo na maioria dos casos – há boas razões para que assim seja. Mas uma das consequências desta situação é dificultar a correcta avaliação dos custos e benefícios da despesa estatal. Todos achamos óptimo ter uma nova auto-estrada; mas se soubéssemos exactamente quanto é que essa auto-estrada custa por pessoa talvez mudássemos de opinião.

Nesta matéria, Portugal tem uma vantagem em relação a quase todos os países do mundo: a vantagem de que a nossa população é de (aproximadamente) 10 milhões de habitantes. Porquê uma vantagem? – Porque facilita muito as contas: se quizermos saber o que é que a despesa governamental representa em média para cada português, basta dividir por 10 milhões.

Concretamente, a forma correcta de ler o Orçamento do Estado começa com a seguinte regra simples:

1. Retirar a palavra “milhões”;
2. Retirar o algarismo da direita.

O resultado é o valor médio por português.

Passemos à aplicação da regra. A Lei do Orçamento prevê que o Estado gaste no próximo ano 83161 milhões de Euros. Aplicando a regra simples, obtemos 8316 Euros por português. Tenhamos em conta que o rendimento nacional por português é cerca de 14000 Euros por ano.

Considerando o que recebemos do Estado, 8316 Euros é muito dinheiro.

Não tenho espaço para entrar em pormenores. Sugiro que visite www.dgo.pt/oe/, imprima os Quadros II e III, aplique a Regra, e faça a sua análise custo-benefício.



publicado por psylva às 08:39
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Outubro 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


posts recentes

Semear futuras crises

As ideias de Luís Filipe ...

Tufão imobiliário

Ordem, custos e esbanjame...

Política, ideias e pessoa...

HÁBITOS DE RICO E A ARTE ...

As reformas da Chrysler

O que resta da esquerda?

O Governo e a Igreja

Um estado menos “keynesia...

arquivos

Outubro 2007

Julho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds