Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2006
Chris Patten


Jorge A. Vasconcellos e Sá



Ex-ministro de Thatcher, último governador de Hong Kong e ex-comissário da UE, Chris Patten publicou em memórias a sua experiência europeia.

Sobre a burocracia: “Tem havido falhas de gestão e fraudes em Bruxelas... o que nos levou a criar novas regras e regulamentos que tornaram mais difícil gerir as coisas competente e rapidamente... demasiados burocratas gastam o tempo a proteger as suas costas... já que em Bruxelas mais que em qualquer sítio sucesso é evitar o desastre”.

Sobre o Parlamento: “Dá a impressão de ser um parlamento virtual, representando um eleitorado virtual, organizado em grupos ideológicos virtuais... movendo-se como um circo ambulante entre Bruxelas e Estrasburgo... em que os debates são uma simples procissão, num auditório pouco frequentado... de oradores emitindo ar quente sobre assuntos que não controlam minimamente... em vez de... reformarem o seu indefensável sistema de despesas de viagem... o Parlamento contém uma minoria de ociosos, inempregáveis em qualquer outra parte, o que se justifica pelo facto de numa democracia todos merecerem ser representados até os vagabundos”.

Sobre a Comissão Europeia: “A política externa devia ser mais que oportunidades de fotografias e a comissão ser tratada como mais que uma criada que serve a refeição e limpa os pratos após os convidados (ministros dos países membros) partirem... sem os 3 grandes não há política externa... o Iraque foi escassamente debatido por oposição com as Nações Unidas e as linhas telefónicas entre Londres, Paris e Berlim... as reuniões não são tão úteis como deviam... às vezes aconteciam porque era aquela altura do mês... os ministros chegavam tarde na manhã e partiam cedo na tarde abdicando do efectivo controlo da agenda europeia... as reuniões degeneram na leitura de um documento a que ninguém presta atenção com ocasionais debates ligeiramente superiores a conversas de café”.

Sobre o peso internacional da UE: “Dado que a crise nuclear na Coreia do Norte se tornou numa notícia de 1ª página, uma delegação europeia de alto nível visitou o “querido líder Kim”.

“E sobre o que queria ele falar? Europa? Alguns países europeus em especial? Não. Sobre os... EUA! Porque mudou a política americana? Porque eram os americanos tão rudes com ele? Porque manipulavam os sul coreanos? Porque ameaçavam o seu pobre país? De facto só os americanos é que contam...”.

Em síntese (minha): existe um mercado (europeu). Não existe uma Europa (enquanto entidade política). Nem federal, nem confederal, nem o que seja. Porque no ‘cockpit’ do avião não vai ninguém. E o piloto automático nem sequer está ligado. Politicamente a Europa é... só fumaça.


publicado por psylva às 08:34
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