Domingo, 21 de Novembro de 2004
Trabalhadores gastam quatro horas diárias na gestão de e-mails
Não sei que tipo de estudo é este mas parece-me pouco credível!

"mão invisível"

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Os funcionários das empresas com acesso à Internet gastam, em média, quatro horas por dia a ler e responder a e-mails. Um terço desse tempo é destinado ao arquivo, organização ou eliminação de mensagens, revela um estudo do grupo Gartner.



A pesquisa prevê que a partir deste ano haja um aumento de 40% no volume anual de e-mails, o que poderá agravar o número de horas despendido pelos funcionários na gestão do correio electrónico.
O estudo garante ainda que os empregados têm consciência que perdem tempo nestas tarefas, o que gera uma maior ansiedade e afecta a produtividade.


publicado por psylva às 12:27
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Sábado, 20 de Novembro de 2004
Uma medida para aplaudir
É bom que um automobilista que utiliza o seu carro para entrar em Lisboa ou no Porto tome consciência que está a provocar um efeito negativo para a sociedade portuguesa.
Segundo a comunicação social, o Governo encara a hipótese de introduzir portagens à entrada de Lisboa e Porto, de forma a desencorajar a utilização do transporte privado nas deslocações diárias para os locais do trabalho nas grandes cidades.

Não posso senão aplaudir a intenção.

Efectivamente, é urgente reduzir a utilização do transporte privado nas grandes cidades. Isto por quatro ordens de razões: em primeiro lugar, o congestionamento das vias de acesso é tal, que grande parte da população trabalhadora perde três horas diárias ou mais só em deslocações, com prejuízo da sua capacidade de trabalho, da pontualidade e até da saúde física e psíquica. Em segundo lugar, a utilização do transporte privado aumenta o consumo de produtos derivados de petróleo numa época em que necessitamos urgentemente de reduzir de forma significativa a utilização de petróleo. Em terceiro lugar, a utilização do transporte privado aumenta para além do desejável, os níveis de poluição. Em quarto lugar, esta irracionalidade que é a utilização do transporte privado obriga a realizar grandes investimentos em infra-estruturas (que, aliás, se desactualizam rapidamente) gastando recursos financeiros que seriam melhor aplicados nos recursos humanos ou em investimentos que melhorem a competitividade externa do Pais.

É bom que um automobilista que utiliza o seu carro para entrar em Lisboa ou no Porto tome consciência que está a provocar um efeito negativo para a sociedade portuguesa. Efeito que é a soma de três componentes: por um lado, aumenta o congestionamento das vias de comunicação e consequentemente prejudica o tempo médio de trajecto da sua utilização pelos outros utilizadores; por outro lado, contribui para consumir um recurso não renovável e em vias de esgotamento que é o petróleo; finalmente, aumenta a poluição. Este efeito negativo é o que os economistas chamam uma «externalidade negativa». E uma das melhores formas de lidar com uma externalidade negativa de modo a reduzi-la significativamente é impor taxas sobre a actividade que as provoca. Neste caso, a taxa é uma portagem sobre a utilização do transporte privado para entrar nas cidades.

Como sempre acontece em Portugal, o anúncio de uma medida racional levanta muito mais protestos e objecções do que o de uma medida irracional. Este não faltou à regra. E apareceu até o argumento extraordinário daqueles que dizem : «Mas eu tenho de utilizar necessariamente o veículo em Lisboa (ou Porto) porque a minha actividade exige andar de um lado para o outro e com volumes grandes». O argumento é extraordinário porque são justamente os que têm mesmo de utilizar o carro os primeiros beneficiários de uma medida desta natureza. Aquilo que tiverem de pagar em portagens para usar o veículo nas cidades será com certeza muito inferior à poupança nos custos que resultará de trajectos mais rápidos de entrada, saída e dentro das cidades.

Outro argumento, mais sério, é que os transportes colectivos não são suficientes. Pelo menos no que toca a Lisboa, que é o caso que conheço melhor, tal não é verdade. O Metro e os comboios têm hoje uma rede perfeitamente razoável. E os transportes de superfície serão mais que suficientes quando puderem realizar trajectos mais rápidos devido à redução do tráfego. O que será necessário fazer é melhorar os parques de estacionamento junto às estações dos comboios suburbanos. Mas isso não me parece nada de transcendente.

Vamos a ver se o Governo tem coragem de levar avante esta medida. Se tiver, e se não entrar na via fácil das excepções, prestará um bom serviço ao Pais.


publicado por psylva às 12:12
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Relatório "O Mundo em 2005"

"The Economist": Portugal é o 19º país com melhor qualidade de vida
Lusa


Portugal é o 19º melhor país para se viver, de acordo com o relatório "O
Mundo em 2005", da revista "The Economist", que analisa factores como os
rendimentos, a liberdade, o desemprego, a vida familiar e o clima, entre
outros.

O resultado coloca Portugal no grupo dos 20 primeiros de uma lista de 111
países, com base em sondagens feitas a habitantes dos respectivos Estados.

Portugal atinge um valor no "ranking" de qualidade de vida de 7,31, em dez
possíveis, numa tabela liderada pela Irlanda, com 8,33.

A qualidade de vida portuguesa é consideravelmente mais elevada do que a
posição de Portugal no que toca ao Produto Interno Bruto "per capita" - 31º
lugar.

A sondagem abrange ainda temas com saúde, estabilidade política e segurança,
que resulta num "ranking" liderado pela Irlanda, seguida no "top ten" pela
Suíça, Noruega, Luxemburgo, Suécia, Austrália, Islândia, Itália, Dinamarca e
Espanha.

A Inglaterra surge em 29º lugar, atrás de todos os outros membros dos 15 que
formavam a União Europeia no ano passado. A França e a Alemanha ocupam os
25º e 26º lugares, respectivamente.

Os autores do estudo explicam que o sucesso do líder do "ranking", a
Irlanda, se deve ao facto de o país "combinar alguns dos factores mais
desejáveis", como baixas taxas de desemprego e estabilidade na preservação
da vida familiar e na aplicação das políticas comunitárias.

A riqueza nacional, medida pelo PIB, acaba por não ser o principal factor na
determinação da qualidade de vida, como se comprova pelos Estados Unidos,
que, apesar de ser número dois no "ranking" económico, cai para 13º no
"ranking" final.

O Qatar, por exemplo, 6º no PIB "per capita", surge como 41º no índice de
qualidade de vida.

No fim da lista surgem Nigéria, Botswana, Haiti e Zimbabwe.


publicado por psylva às 11:29
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Mail a circular na INTERNET
O Governo vai baixar quatro das seis taxas do imposto sobre as pessoas singulares (IRS) e actualizar os escalões em dois por cento, segundo a proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2005, apresentada hoje.

A taxa do escalão de rendimentos anuais mais baixos (inferiores a 4351 euros) diminui 1,5 pontos percentuais, para 10,5 por cento.

Para o escalão seguinte, afecto aos rendimentos de entre 4351 e 6581 euros por ano, a taxa desce um ponto percentual, para 13 por cento.

Os rendimentos anuais de entre 6581 e 16.317 euros terão uma redução de meio ponto percentual, para 23,5 por cento.

No patamar seguinte, entre um rendimento de 16.317 euros e 37.528 euros, a taxa permanece em 34 por cento.

O mesmo não acontece no escalão seguinte, para rendimentos de entre 37.528 e 54.388 euros por ano, que cai de 38 para 36,5 por cento.

Mantêm-se sem alterações as taxas para os rendimentos mais altos (acima de 54.388 euros anuais), que continua a ser de 40 por cento.

Todos os escalões são actualizados em dois por cento, o equivalente à inflação prevista pelo Governo para 2005.

...Resumindo :

rendimentos anuais :

< 4.351 euros à baixa 1.5%

4.351 e 6.581 euros à baixa 1.0%

6.581 e 16.317 euros à baixa 0.5%

16.317 e 37.528 euros à 0%

37.528 e 54.388 euros à baixa 1.5%

> 54.388 euros à 0%

Alguém me consegue explicar porque é que o 5º escalão baixa tanto quanto o escalão mais baixo? Será por ser onde estão integrados todos os da corja que vão aprovar o orçamento?

Ou será que é só para gozar com a cara de todas as pessoas que estão no super escalão 4 ?

Ou será que existe algum tipo de comparação entre os pobrezinhos do 1º escalão como os 'pobrezinhos' do 5º escalão. A continuar assim , vou negociar o meu salário e ver se chego mais rapidamente a pobrezinha do 5º escalão, já que o nosso correctíssimo ministro está tão preocupado com essa classe de pobrezinhos. Será que estes pobrezinhos este ano não conseguiram ir de férias para as Bahamas?

'Pobrezinhos'!!!!!!!!!!!!





Se leram até aqui é porque o assunto também vos interessou !

Divulguem esta pouca vergonha por favor!
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PS: A "mão invisível" não criou este artigo, tendo o apenas públicado. A responsabilidade é exclusivamente dos autores, não pudendo ser imputada qualquer responsabilidade à "mão invisível"


publicado por psylva às 11:24
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A1
Um tipo conduzia o automóvel na A1 quando recebe um telefonema da mulher:
- Querido, tem cuidado! Ouvi agora nas notícias que anda um maluco em
sentido
contrário na auto-estrada.
-Um!!?? São às centenas!!


publicado por psylva às 11:16
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Mullah

> Um casal muçulmano 'moderno', preparando o casamento religioso, visita
um
> Mullah buscando conselho.
> No final, o Mullah pergunta se eles têm mais alguma dúvida.
>
> O homem pergunta:
> - Nós sabemos que é uma tradição no Islão os homens dançarem com
homens e
> mulheres dançarem com mulheres. Mas na nossa festa de casamento,
> gostaríamos de sua permissão para que todos dancem juntos.
> - Absolutamente, não! - Diz o Mullah - É imoral. Homens e mulheres
sempre
> dançam separados.
> - Então após a cerimónia eu não posso dançar nem com minha própria
mulher?
> - Não - respondeu o Mullah - É proibido pelo Islão.
> - Está bem - diz o homem - E que tal sexo? Podemos finalmente fazer
sexo?
> - É claro! - Responde o Mullah - Alá é Grande! No Islão, o sexo é bom
> dentro do casamento, para ter filhos!
> - E quanto a posições diferentes? - Pergunta o homem.
> - Alá é Grande! Sem problemas! - Diz o Mullah.
> - Mulher por cima? - Pergunta o homem.
> - Claro! - Diz o Mullah - Alá é Grande. Pode fazer!
> - De gatas?
> - Claro! Alá é Grande!
> - Na mesa da cozinha?
> - Sim, sim! Alá é Grande!
> - Posso fazê-lo, então, com as minhas quatro mulheres juntas , em
colchões
> de borracha, om uma garrafa de óleo quente, alguns vibradores,
chantilly,
> acessórios de couro, um pote de mel e videos pornográficos?
> - Claro que pode! Alá é Grande!
> - Podemos fazer de pé?
> - Nãããããão, isso é que não! DE MANEIRA NENHUMA! Diz o Mullah.
> - E porque não? Pergunta o homem, surpreso.
> - Porque vocês podiam entusiasmar-se e começar a dançar.


publicado por psylva às 11:15
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Mullah

> Um casal muçulmano 'moderno', preparando o casamento religioso, visita
um
> Mullah buscando conselho.
> No final, o Mullah pergunta se eles têm mais alguma dúvida.
>
> O homem pergunta:
> - Nós sabemos que é uma tradição no Islão os homens dançarem com
homens e
> mulheres dançarem com mulheres. Mas na nossa festa de casamento,
> gostaríamos de sua permissão para que todos dancem juntos.
> - Absolutamente, não! - Diz o Mullah - É imoral. Homens e mulheres
sempre
> dançam separados.
> - Então após a cerimónia eu não posso dançar nem com minha própria
mulher?
> - Não - respondeu o Mullah - É proibido pelo Islão.
> - Está bem - diz o homem - E que tal sexo? Podemos finalmente fazer
sexo?
> - É claro! - Responde o Mullah - Alá é Grande! No Islão, o sexo é bom
> dentro do casamento, para ter filhos!
> - E quanto a posições diferentes? - Pergunta o homem.
> - Alá é Grande! Sem problemas! - Diz o Mullah.
> - Mulher por cima? - Pergunta o homem.
> - Claro! - Diz o Mullah - Alá é Grande. Pode fazer!
> - De gatas?
> - Claro! Alá é Grande!
> - Na mesa da cozinha?
> - Sim, sim! Alá é Grande!
> - Posso fazê-lo, então, com as minhas quatro mulheres juntas , em
colchões
> de borracha, om uma garrafa de óleo quente, alguns vibradores,
chantilly,
> acessórios de couro, um pote de mel e videos pornográficos?
> - Claro que pode! Alá é Grande!
> - Podemos fazer de pé?
> - Nãããããão, isso é que não! DE MANEIRA NENHUMA! Diz o Mullah.
> - E porque não? Pergunta o homem, surpreso.
> - Porque vocês podiam entusiasmar-se e começar a dançar.


publicado por psylva às 11:15
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O velho e o burro
Muitos têm dito, com razão, que o Orçamento para 2005 reduz o ímpeto de consolidação fiscal e abranda o esforço de controlo da gigantesca despesa pública. Realmente, logo que se sentiu o alívio da recessão e se reduziram um pouco os perigos de derrapagem do défice, deslizaram a urgência e ardor da austeridade. Assim, é razoável duvidar da possibilidade de as finanças públicas portuguesas virem a entrar numa trajectória sustentável e equilibrada.

Este é o velho problema da democracia lusitana. Pelo menos desde há 200 anos que o nosso país não consegue, em liberdade, livrar-se da chaga do descontrolo orçamental. Debaixo de ditadura (de João Franco, Salazar ou Caetano) as coisas resolvem-se. Mas a libertação traz sempre consigo o descalabro fiscal, como se viu no Liberalismo, na Primeira República e (de forma menos grave mas igualmente preocupante) desde o 25 de Abril.

A causa profunda desta situação não está apenas nos ministros e nos Governos.

Ela vem também de uma atitude irresponsável, imatura e juvenil de muita da nossa elite, dos que analisam e discutem a política económica.

Vemos isso claramente quando notamos que os que agora acusam o dr. Bagão Félix de não ser suficientemente duro nas despesas são, em grande medida, os mesmos que antes condenavam a dr.ª Manuela Ferreita Leite por estar «obcecada pelo défice» e por destruir a nossa economia com rigorismos orçamentais. Muitos dos que hoje bramam, justamente, contra os efeitos de uma subida de salários dos funcionários públicos são exactamente os mesmos que estariam a uivar se esses salários não fossem subidos.

Isso ficou patente nos últimos dias.

Os periódicos, sobretudo económicos, touxeram em grande destaque a notícia de que a Standard & Poor's passou a perspectiva do rating (classificação da confiança como devedor) da República Portuguesa de «estável» para «negativa». Isso, sem quaisquer efeitos imediatos, pode indiciar uma futura descida dessa classificação, o que motivaria um aumento das taxas de juro que a nossa dívida pública tem de pagar.

O que ninguém reparou é que na própria notícia se dizia que o rating do Estado português melhorou acentuadamente nos últimos anos. Mas nunca os jornais fizeram primeira página com esse facto. Nessa altura essas boas notícias do sucesso das Finanças passavam despercebidas.

A verdade é que os jornais e comentadores interessam-se muito pouco com as questões económicas, usando-as apenas como pretexto para o jogo político. Por isso, como rapazolas no recreio, saltam do expansionismo para o rigorismo conforme dá jeito à tropelia partidária do momento, esquecendo as graves questões estruturais.

Mas nesta história há também um burro. E ele é... o contribuinte. Porque os cidadãos portugueses ainda não perceberam que todo o dinheiro que o Estado gasta é seu. Por isso, quando lêem nos jornais protestos de agricultores, professores, médicos, funcionários, autarcas e tantos outros, quando os ouvem a repudiar os cortes orçamentais e exigir mais despesa, os contribuintes deviam comprender que o que esses grupos de pressão querem é tirar ao povo, através do Orçamento, o dinheirinho que tanto lhe custou a ganhar. Os ministros gastam, não o seu dinheiro, mas o nosso. Falta-nos consciência de contribuinte. Enquanto o burro não entender que carrega às costas o velho problema e os rapazolas dos jornais, as coisas não se resolvem.


publicado por psylva às 11:13
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Da economia
Parto de duas interrogações recorrentes ao longo dos anos. Em actos do dia-a-dia, um diálogo do tipo: P: ”Profissão?”, R: ”Economista”; em momentos particulares, um interesse mais dirigido: ”O que é ser economista?”.

Aqui afloro a matéria com breves achegas sobre algumas contradições que me assaltam e perturbam.

1) Entre uma vulgarização da economia - com tudo o que ela tem de bom (menor opacidade de assuntos que afectam a vida corrente para um número crescente de cidadãos) e de mau (impressão de simplismo/facilitismo e conhecimento sem esforço) - e uma sofisticação abusiva das metodologias e técnicas utilizadas pelos estudiosos da economia (investigação fundamental e teoricismo, matematização e modelização).

2) Entre esta sofisticação – que aparenta conduzir a ciência económica a um patamar de ”expertise” e erudição sem paralelo e o quotidiano dos cidadãos à submissão a uma lógica implacável de ”verdade económica” – e a diminuta influência ou capacidade de previsão dos economistas sobre a marcha do mundo que os envolve.

3) Entre as determinações de muitos jovens que começam por se relacionar com a disciplina – compreender o que os rodeia a partir de uma instância económica de inequívoca centralidade na vida das sociedades – e as efectivas oportunidades futuras que ela lhes vem a abrir – actividades de âmbito micro crescentemente circunscritas e limitativas.

4) Entre a sólida formação de base (técnica e cultural) que deve constituir o fundamento primeiro de qualquer curso universitário e a sua substituição por pseudo-especializações altamente focalizadas, caixa de Pandora aberta pelas licenciaturas em Gestão e pela multiplicação sem regra de outras em áreas cuja atractividade se foi afirmando ao sabor de conjunturas permissivas de negócios de ensino superior lucrativos mas inconsequentes.

5) Situando-nos neste quadro mais ”especializado”, entre o desejo dos estudantes em acederem aos mecanismos reais que marcam a evolução das economias e a actividade das empresas, por um lado, e o nível de tecnicidade contemplativa, de desligamento face ao objecto ou de chocante inexperiência prática que define a maioria dos seus docentes, por outro. Dito isto, e olhando noutra direcção, fica por atacar a questão nuclear de um desejável recentramento da postura dos profissionais da Economia. Com três efeitos expectáveis: (i) o de uma potenciação das suas competências na análise das economias como elas são (”regresso aos factos”) mais do que na de como elas deveriam ser; (ii) o de um relacionamento aberto entre a Economia e outras Ciências Sociais (História, Sociologia, Psicologia, Direito,...) por forma a lograr um maior espaço de reflexão e um melhor entendimento do modo como as pessoas interagem para além da estrita mediação dos mercados e dos preços; (iii) o de uma menor funcionalização face a interesses, com a consequente afirmação do essencial primado das exigências democráticas e societárias sobre as determinações subsidiárias da lógica económica.


publicado por psylva às 11:10
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O excepcionalismo americano
A leitura de “Plan of Attack” de B. Woodward (imortalizado com L. Bernstein por Watergate), trouxe-me à memória as palavras de Alexis de Tocqueville (séc. 19) sobre o excepcionalismo americano: não como melhor ou pior, mas no sentido de os americanos serem diferentes.

Este excepcionalismo percorre a sociedade americana de lés-a-lés: demográfica; religiosa; política; cultural; e economicamente.

Enquanto a UE15 envelhece e a sua população – decrescerá para 380 milhões em 2050 –, os EUA ultrapassam-na e alcançarão 410 milhões nessa data. Enquanto na Europa mais de 2/3 da população é urbana, os EUA é um país de subúrbios (+ de 50%): pequenas cidades, à volta de grandes metrópoles, mas com vida, comércio, serviços e indústria próprias.

Mais. Os americanos são um povo religioso: 44% frequentam habitualmente templos e 60% consideram que a religião é importante na sua vida, por oposição a 32%, 28%, 21% e 11% na Grã-Bretanha, Itália, Alemanha e França.

O sistema político é muito descentralizado: primeiro a nível estadual; e depois local: cidades e condados. Nenhum país tem mais eleições que os EUA, incluindo em alguns casos para juízes: de 4 em 4 anos um milhão de postos são eleitos.

Culturalmente as diferenças continuam. Gallup: à pergunta se tem muito orgulho na sua nacionalidade?... 80% dos americanos respondem afirmativamente, contra 45% britânicos, 38% franceses, 30% italianos e 19%(!) alemães. O que é mais importante que o governo faça? Ajudar os necessitados (62% em Itália; 61% na GB; 60% na França; 58% na Alemanha). Nos EUA? Apenas 35%. Então o que é prioritário? Dar liberdade para cada um atingir os seus objectivos (58%).

Segue-se o excepcionalismo económico: os americanos trabalham +11% de horas/ano que os europeus. Têm em média 15 dias de férias contra 25, 28, 35, 37 e 42 na Holanda, R.U., Alemanha, França e Itália. E uma produtividade superior à europeia em 11% (por hora) e 20% (por pessoa), maior esta por trabalharem mais horas. O seu PIB ‘per capita’ (PPP) é 42% superior ao europeu.

Por fim, os EUA são o país com a maior desigualdade da OCDE (o 2.º é Portugal): os 10% mais ricos ganham 17 vezes mais que os 10% mais pobres.

Em síntese, os EUA são uma sociedade excepcional (diferente). Individualista. Centrada no trabalho. No culto da simplicidade. Optimista. Produtiva.

E, por outro lado, (segundo um estudo de V. Labunsky) materialista. Superficial. Agressiva. Com pouca coesão familiar. E comunitária. Deselegante: uma sociedade de ‘jeans’, ténis e ‘t-shirts’. Apressada.

Nas palavras de O. Wilde após o seu regresso dos EUA: “Se os americanos não se vestem bem, vestem-se confortavelmente; no ar, além de conforto, há acima de tudo movimento, muito movimento e barulho. Todos parecem estar sempre com pressa para apanhar um comboio”.

No fundo, e como sempre na vida, os americanos têm os defeitos... das suas qualidades. E nuns e noutras são excepcionais.





publicado por psylva às 11:05
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