Domingo, 10 de Abril de 2005
> Boas maneiras...

>
> Durante a aula de Boas Maneiras, diz a professora:
> - Zézinho, se você estivesse namorando uma moça fina
> e educada e,
> durante o
>
> jantar, precisasse ir no banheiro, o que diria?
>
> Ele responde:
> - Segura as pontas aí que eu vou dar uma mijadinha.
> - Isso seria uma grosseria, uma completa falta
> de educação. - disse
> a professora. E você Juquinha, como diria? E ele
> responde:
> - Me desculpa, preciso ir ao banheiro, mas já volto.
> - Melhor, mas é desagradável mencionar o banheiro
> durante as refeições.
> - disse ela. E você, Joãozinho, seria capaz de usar
> sua inteligência
> para, ao menos uma vez, mostrar boas maneiras?
> - Eu diria "Minha prezada senhorita, peço licença
> para ausentar-me por
> um momento, pois vou estender a mão a um
> grande amigo que
> pretendo lhe apresentar depois do jantar".


publicado por psylva às 16:27
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As palavras e os pensamentos confundidos


Em determinado pais, havia um efectivo favorecimento à natalidade.
Necessitando de mão-de-obra, o governo decretara uma lei que obrigava os casais a terem um certo número de filhos, prevendo também uma tolerância de cinco anos, no fim dos quais o casal teria que ter pelo menos um filho.
Aos casais que no fim do prazo não conseguissem ter um filho, o governo destacaria um "agente auxiliar" para que a criança fosse gerada...

E, assim, tivemos este diálogo entre um casal :
Mulher - Querido, completamos hoje cinco anos de casamento...
Marido - E infelizmente não tivemos nenhum filho...
Mulher - Será que eles vão mandar o tal agente?
Marido - Não sei...talvez mandem...
Mulher - Se ele vier?
Marido - Bem, eu não posso fazer nada...
Mulher - Eu, menos ainda...
Marido - Vou sair, pois já estou atrasado para o trabalho...
Logo após a saída do marido, batem à porta. A mulher corre a abri-la e encontra um homem à sua espera. Tratava-se de um fotografo que errara o endereço ao qual deveria atender...

Homem - Bom dia... eu sou.....
Mulher - Ah!...já sei. Pode entrar...
Homem - O Seu marido está em casa?
Mulher - Não... ele foi trabalhar...
Homem - Presumo que ele já esteja a par...
Mulher - Sim. Ele está a par. Também concordou...
Homem - Óptimo, então vamos começar...
Mulher - Mas já... tão rápido?
Homem - Preciso ser breve pois tenho 16 casas para visitar...
Mulher - Minha nossa! E o senhor aguenta?
Homem - Sim, pois eu gosto do meu trabalho. Alem disso, ele dá-me muito prazer...
Mulher - Então vamos começar. Como faremos?
Homem - Permita-me sugerir: uma no quarto, duas no tapete, duas no sofá, uma no corredor e uma no banheiro...
Mulher - Nossa senhora! Não está a exagerar?
Homem - Bem, na primeira tentativa podemos acertar na mosca.....
Mulher- O senhor já visitou alguma casa neste bairro?
Homem - Não, mas tenho comigo algumas amostras do meu trabalho (mostrando fotos de crianças). Não são lindas?
Mulher - Como são belos estes bebes. Foi o senhor que os fez?
Homem - Sim. Veja esta aqui, por exemplo, foi conseguida na porta de um supermercado...
Mulher - Que horror, o senhor não acha muito público?
Homem - Sim, mas a mãe queria muita publicidade..
Mulher - Eu não teria coragem de fazer isso...
Homem - Esta aqui foi em cima de um autocarro...
Mulher - Porra!
Homem - Foi um dos serviços mais difíceis que eu já fiz...
Mulher - Eu imagino...
Homem - Esta foi feita no inverno num parque de diversões...
Mulher - Credo! Como é que o senhor conseguiu?
Homem - Não foi fácil, como se não bastasse a neve a cair, tinha uma multidão à nossa volta. Quase não conseguia acabar...
Mulher - Ainda bem que sou discreta e não quero ninguém a olhar...
Homem - Óptimo. Eu também prefiro assim. Agora se me dá licença, eu vou armar o tripé...
Mulher - Tripé? Tripé para quê?
Homem - Bem, madame, é necessário. O meu equipamento, além de pesado,depois de armado mede um metro...

A mulher desmaiou...


publicado por psylva às 16:27
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tragédia grega
nossa vida democrática parece por vezes uma tragédia grega. A última eleição renovou velhos cenários onde os partidos, apesar dos esforços, voltaram a cair. Parece que, como nos mitos clássicos, um destino funesto determina sem apelo a sua sorte.

O Partido Socialista, por exemplo, repete o azar de chegar ao Governo com o País em crise e precisando de medidas dolorosas e difíceis. Foi assim logo quando Mário Soares ganhou as primeiras legislativas e formou Governo em 1976. O choque do petróleo de 1973, a revolução de 1974 e a descolonização de 1975 tinham deixado Portugal num estado lastimoso. Foi inevitável chamar o Fundo Monetário Internacional em 1977 e aplicar o difícil programa de austeridade. O País recuperou o equilíbrio, mas não houve gratidão para quem o fez. Nas eleições seguintes, em Dezembro de 1979, o PS teve uma grande derrota.

A Aliança Democrática criou em seguida, com o segundo choque petrolífero, uma crise ainda maior que a primeira. Por isso, quando o PS voltou a ganhar em 1983 e Mário Soares regressou, foi preciso voltar a chamar o FMI e aplicar nova austeridade. Também aqui não houve gratidão e no fim da crise o PSD ganhou as eleições e seguiu-se o longo consulado maioritário de Cavaco Silva. A maldição do PS repetia-se.

A terceira crise económica de 1992-93 surgiu e acabou dentro do Governo do PSD. Assim, quando o PS teve a terceira vitória em 1995 e António Guterres formou Executivo, o partido governou pela primeira vez em período de crescimento. O enguiço parecia quebrado.

Infelizmente, Guterres repetiu o erro de Balsemão e criou uma crise que acabou por o afastar. O Governo caiu, mas isso não alterou o padrão era agora a nova AD quem tinha de aplicar austeridade. O PS podia esperar voltar com a crise acabada e o PSD punido pelas dificuldades.

Mas não foi isso que aconteceu. O Governo maioritário PSD-PP deixou o País, em certos aspectos como o desemprego, pior que em 2002. Assim, José Sócrates começa hoje o primeiro mandato maioritário do PS com a necessidade de impor austeridade e tomar medidas duras. Como numa peça de Sófocles, a maldição que perseguiu Soares regressa após 20 anos.

A sorte que assombra o PSD é mais sinistra. Foi o primeiro a liderar uma maioria absoluta em 1979, mas pouco depois um trágico acidente vitimou Sá Carneiro e Amaro da Costa, os seus líderes carismáticos. Violentamente atingido, o partido virou-se para Pinto Balsemão, um político com talento, mas não para primeiro-ministro. Seguiram-se anos de desorientação e uma crise que, apesar da maioria, apeou o Governo.

Os sucessos da década de Cavaco Silva fizeram esquecer essa fatalidade. Mas 25 anos depois ela regressou ao PSD. Durão Barroso, após Guterres, chefiou uma nova AD também com maioria e, ao fim de pouco tempo, também desapareceu. Não por avião mas por evasão. De novo o partido órfão escolheu um líder talentoso mas sem estofo para primeiro-ministro. Como no teatro de Ésquilo, o fio do destino repete o mesmo nó.

O CDS, como sempre, ao perder o líder, perde a personalidade e não sabe quem é. É o Édipo da política nacional.

Talvez a mais irónica fatalidade seja a da extrema-esquerda, com vitórias que acabam na irrelevância. Álvaro Cunhal em 1976 teve uns respeitáveis 15% e insistiu com afinco na "maioria de esquerda". Soares recusou o convite e preferiu governar sozinho em minoria. Isso, a prazo, determinou a longa descida eleitoral dos comunistas. Hoje, 30 anos volvidos, CDU e BE têm juntos quase tanto quanto Cunhal teve. O resultado anima-os a propostas tão extremistas quanto inúteis a maioria absoluta do PS anula as suas aspirações.

Assim, o actual quadro político recapitula velhos pesadelos, que regressam para assombrar os partidos.

A democracia inclui epopeias dignas de Eurípides.

Mas esta constatação não deve alimentar um outro estilo bem nacional, o fadinho desolador. As eleições mostraram que, apesar de tudo, o sistema funciona hoje muito melhor que a podridão do liberalismo ou o caos republicano.





publicado por psylva às 16:26
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Ricardo
Durante largas décadas, os estudantes de Economia de todo o mundo ouviram falar de um aristocrata britânico de inícios do Século XIX e parcial ascendência portuguesa (David Ricardo).

Segundo alguns, a sua consagrada teoria das vantagens comparadas e o exemplo de 2 países (Portugal/Inglaterra) e 2 bens (vinho/tecido) ter-se-ão mesmo constituído – bem antes de Amália, Eusébio ou Mário Soares – na melhor divulgação da existência de uma nação chamada Portugal...

O dito Ricardo foi o precursor de uma teoria do comércio internacional de validade universal ao demonstrar pioneiramente o que tantos outros depois desenvolveram em múltiplas direcções: que a livre abertura dos países às trocas entre si resultaria numa situação de vantagens mútuas e, portanto, num factor de progresso global. Todo o sistema comercial multilateral em que temos vivido (GATT/OMC) assenta, em última instância, nas bases assim lançadas há quase dois séculos.

Decorre toda esta divagação da recente publicação por parte do mais (re)conhecido economista vivo (Paul A. Samuelson, 89 anos) -também ele uma referência no edifício teórico da Economia Internacional (modelo de Heckscher-Ohlin-Samuelson) - de um artigo (JEP, 2004) que veio “abanar” fortemente muitas das convicções estabelecidas.

A lucidez de Samuelson provém da sua capacidade de interpretar e retirar ilacções da evolução do mundo real, no caso o alastramento do fenómeno da globalização. Não se trata já da perda de empregos nas economias desenvolvidas em razão da multiplicação de importações provenientes de países de mão-de-obra barata (com destaque para a China ou a Índia) ou da deslocação de unidades produtivas para tais países - aí, a contrapartida ainda é equacionável ao fazer acompanhar as vantagens dos consumidores (acesso a produtos importados de preços inferiores) de uma concentração da especialização daquelas economias em bens de maior valor acrescentado produzidos por trabalhadores mais qualificados.

Trata-se sim de outro facto, consubstanciado no ‘offshoring’ para aqueles países emergentes de empregos qualificados (”colarinhos brancos”) e nas suas potenciais consequências devastadoras nos EUA e outras economias centrais. O que Samuelson antevê é a formação de um mercado de trabalho global para os trabalhadores qualificados, podendo este conduzir a uma escalada descendente nos seus níveis salariais nacionais e a um arrastamento sobre os níveis salariais médios das economias em causa que mais que compensará os ganhos de preços nas importações e determinará uma enorme distorção na distribuição do rendimento a favor do capital; ao que acrescenta os efeitos nefastos da nova concorrência internacional sobre os preços de exportação e a performance daquelas economias – como o próprio afirma: “a vantagem comparada não pode ser contabilizada como criando... ganhos líquidos maiores do que perdas líquidas”.

Será cedo para se concluir estarmos perante uma mudança de paradigma. Mas é já claro que Samuelson nos veio trazer algumas “qualificações importantes” face aos ortodoxos argumentos dos defensores da globalização a todo o custo...




publicado por psylva às 16:25
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Há muito tempo que se fala na necessidade de reformas estruturais.


Ambos factos são más notícias. A “necessidade” indica que a sociedade está desorganizada: na educação, na administração, etc. O “há muito tempo” significa que não tem havido capacidade.

A razão é dupla: dificuldade (devido à complexidade e resistência dos lobis/corporações); e risco (a impopularidade pode levar à perda de eleições).

Para ultrapassar ambos é necessário uma coisa: chama-se coragem. A qual faz parte do temperamento. Juntamente com outras qualidade como o bom senso, a determinação e a decência.

E como referiu C. Wallace na sua análise dos factores de sucesso dos governantes:
- Inteligência?: secundária;
- Conhecimentos?: ajudam;
- Temperamento (e carácter)?: fundamentais.

Tal é ilustrado por vários presidentes americanos que nos seus mandatos foram contra a corrente dominante e preteriram interesses, por princípios:
- George Washington que combateu no oeste da Pennsylvania a rebelião contra o imposto do álcool;
- Andrew Jackson que lutou contra um congresso que apoiava o quase monopólio do Second National Bank;
- Ulisses Grant e a sua decisão de não intervir em Cuba;
- Woodrow Wilson que levou os EUA a entrar na Iª Guerra Mundial (contra a doutrina Monroe de isolacionismo então prevalecente);
- Harry Truman e a ponte aérea para abastecer Berlim (quando os seus generais recomendavam retirar e abandonar a cidade aos soviéticos);
- Richard Nixon e a abertura à China (contra a opinião conjunta, quer dos republicanos, quer dos democratas);
- Etc. Etc.

De todos estes exemplos emergem três coisas fundamentais:
Primeiro: tratam-se de governantes que foram contra a opinião dominante. Seguiram as suas convicções, não as suas conveniências. Princípios, não interesses (imediatos). Apoiando-se na coragem, a qual, como disse Churchill: “é a primeira das qualidades porque garante todas as outras”.

Assim (segundo): com coragem transformaram-se de meros políticos (preocupados com a próxima eleição) em estadistas (preocupados com a próxima geração). Praticaram liderança (seguindo aquilo em que acreditavam) e não seguidismo (seguindo as sondagens).

Terceiro: e assim tiveram sempre a sua recompensa. Ou no imediato, quando a opinião pública mudou a seu favor. Ou no longo prazo com a História a lembrar-se deles. É o caso de T. Jefferson e o embargo que declarou contra a Grã-Bretanha.

Isto é, libertaram-se para sempre da “lei da morte” (Camões), porque colocaram a ambição ao serviço da contribuição. E como tal, e por tal, não estão esquecidos mas são ainda hoje lembrados. Porque fizeram obra.



publicado por psylva às 16:25
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O país depende cada vez mais de imigrantes, que fazem os trabalhos indispensáveis que os portugueses desprezam
Os equívocos da escolha decisiva



país está em tempo de escolhas. Mas a mais importante de todas é, sem dúvida, aquela que milhares de alunos fazem por esta altura. No 9.º e no 12.º anos, em situações muito variadas e distintas, os jovens vão decidir nas próximas semanas coisas determinantes para a sua vida futura. Continuo ou não a estudar? Que curso e carreira devo escolher?

Este facto constitutivo da sociedade moderna e civilizada, sendo normal e comum, não deve levantar dificuldades. A angústia, incerteza e desorientação que geram são muito dolorosas para quem as suporta, adolescentes e pais. Mas são coisas da vida, que nos devem alegrar e suscitar apoio.

Hoje em Portugal, porém, existe um conjunto de circunstâncias que cria aí graves interferências. Ideias feitas, teorias educativas e mitos modernos conjugam-se para distorcer este momento, que deveria ser uma consagração da personalidade individual e do desenvolvimento socioeconómico. Estes equívocos, igualmente graves para os que abandonam o ensino e para os que avançam para a universidade, tomam formas diferentes nos dois casos.

O pior dilema é o dos jovens que decidem não continuar os estudos e saem da escola. Uma pessoa que passou nove ou mais anos nas aulas não quer ser operário, cavador ou servente. Aspira naturalmente a emprego mais digno; pelo menos escriturário, contínuo, telefonista. Esta é uma atitude normal, compreensível, razoável. Mas esconde graves problemas. Apesar da queda da agricultura e indústria na economia nacional, um país não pode viver sem trabalhadores braçais e só com funcionários de secretária. Pior de tudo, a escola, que se julga a solução mágica do desenvolvimento, como é livresca e abstracta não forneceu aos jovens a produtividade que lhes garanta salários altos. Só lhes deu o sonho de os ter.

Os resultados são evidentes. Primeiro, o país depende cada vez mais de imigrantes, que fazem os trabalhos indispensáveis que os portugueses desprezam. Depois, o desemprego sobe com muitos empregos desocupados. Uma vaga num escritório tem milhares de candidatos, mas faltam jornaleiros, carpinteiros, canalisadores.

Quanto aos estudantes que avançam para o ensino superior, eles são vítimas das modas intelectuais. Muitos professores, pais e educadores insistem com os jovens para que eles enveredem pela carreira que realmente sentem como sua. "Não te preocupes com as saídas profissionais", dizem os mais impositivos; "o que interessa é fazeres o que gostas!" Deste modo, instila-se a atitude de escolher profissão como se escolhe passatempo ou sobremesa. Sobretudo esquece--se que o trabalho, qualquer trabalho, por muito que se goste dele, implica sempre esforço, dificuldade, exigência. Não admira que tantos, ao primeiro obstáculo, duvidem da escolha feita ou enveredem pela facilidade, mascarada de vocação.

As consequências são igualmente funestas para os jovens e para o país. Primeiro, no enviezamento das candidaturas à universidade. Faltam licenciados em cursos técnicos, mas estudam-se matérias que, por muito interesse que tenham, dificilmente serão absorvidas pela circunstância do país. A percentagem de alunos do liceu na secção de Artes é exagerada, mesmo para um país mais rico que Portugal. Multiplicam-se as licenciaturas hiperespecializadas em cursos como Turismo, Antropologia, Biologia Marítima, Desporto, entre tantos outros, que amontoam os licenciados competindo pelos poucos lugares disponíveis no respectivo sector. Quase todos acabam suportando o malogro de uma ocupação diferente daquela para que foram preparados.

A todos, com o ensino básico, secundário ou superior, a vida se encarregará de ensinar mais que a escola. Mas esta é uma das formas pelas quais o ensino, alegadamente motor essencial do progresso, acaba por distorcer e atrasar aquilo que deveria promover.

A educação não gera o desenvolvimento. Só a boa educação o faz. A má, aqui como em tudo, é apenas um desperdício de tempo e recursos. A principal diferença entre a boa e a má educação é o bom senso.





publicado por psylva às 16:22
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verdade acima de tudo
Acto de coragem. Nas primeiras declarações, o futuro ministro das Finanças limitou-se a assumir que a consolidação das finanças públicas é inevitável. E não são possíveis duas interpretações ao que ele disse: para atacar as causas estruturais da crise orçamental, aumentar impostos é a forma de preservar a essência do modelo de vida que temos.
Não há volta a dar.

Foi um acto de coragem, porque não precisava de ter assumido tal inevitabilidade. Disse o óbvio, que nenhum cenário se pode excluir. Mas muitos dos novos apóstolos das finanças públicas saudáveis não gostam do óbvio.

Por isso explicam as suas fórmulas sedutoras para atacar o problema: menos Ministérios, com gabinetes mais enxutos, a poupar nas contas de telemóvel e coisas do género.

Há que acabar, de uma vez por todas, com este mito: não é nos 2000 milhões de euros de gastos de funcionamento que se faz a consolidação do Orçamento. E é estranho ver muito boa gente, que até anda há muito a denunciar a rigidez das despesas públicas, embarcar facilmente neste equívoco de que é aqui, no automóvel e nas fotocópias dos outros quinze ministros, que o titular das Finanças vai equilibrar o Orçamento.

Sem dúvida que é simbólico. Dar o exemplo fica sempre bem. Podem até os ministros ir de eléctrico para o trabalho. Podiam até ser menos que 16, o número de ministros neste Governo. Podiam e deviam. Por razões de eficiência. Não por causa do défice.

A missão de Campos e Cunha é aquela que algum dos anteriores ministros não conseguiu ou ousou: reformar a despesa. Obriga, agora e sempre, a começar pelo Estado.

Congelar salários dos funcionários é emergência. Despedir é impossível. Reformar por antecipação nada resolve. Mas muito ajudaria alterar profundamente as condições em que os nossos funcionários públicos se reformam.

Quem trabalha no Estado vai para a reforma com o valor do último salário. É injusto: para os outros portugueses conta toda a carreira contributiva. É inédito: nenhum funcionário público do mundo tem esse privilégio. E é insustentável: as despesas da CGA crescem 20% ao ano. O PS pode verificar a conta, porque era de 2.000 milhões quando saiu do Governo e agora está quase nos 3.300 milhões.

Antecipar o que a lei já prevê desde 1993, mas que só terá efeitos práticos a partir de 2028 - fórmula de cálculo igual ao sector privado. É uma medida justa. E com profundo impacto na despesa.

Num sector com duas empresas, o incumbente tem 90% do mercado e beneficia de uma distorção por acção do Estado. O concorrente luta pela sobrevivência, com produtividade mais elevada (130, contra 100 do ex-monopolista). O sector tem, assim, uma produtividade média de 103.

Um novo Governo decide eliminar essa distorção de mercado. O incumbente reage e aumenta a produtividade em 2%. O concorrente mantém. A prazo, invertem posições (quem tinha 90% passa para 10%). A produtividade do sector passa de 103 para 127.

Este exemplo não é meu. Foi apresentado por Luis Cabral há um ano, no Beato, e a sua conclusão é inequívoca: o problema da economia portuguesa não é, afinal, a produtividade. É a falta de concorrência.

Cabral não é só um ilustre desconhecido em Portugal. É, depois de Sérgio Rebelo, o nosso economista mais conhecido no mundo. E dirige o departamento de economia de uma grande universidade dos EUA. A mesma em que se encontrava Manuel Pinho, numa pós-graduação especializada nas teorias de crescimento. Teve de interromper para ser ministro.

Espera-se, portanto, que tenha aprendido a lição. Assim, desfaz um equívoco (o Estado a promover os «campeões nacionais») e tem uma série de medidas tendo em vista o mesmo objectivo: abrir a economia à concorrência. Não é pouco. Comandar, do alto do Ministério, reestruturações de sectores estratégicos, dá mais trabalho e menos resultados.

Mário Lino construiu o monopólio público nas águas e vai para as Obras Públicas. Pelas razões acima expostas, o ministro não deve repetir o equívoco do gestor público.

O Estado não é motor da iniciativa e o investimento público não é o estímulo ao crescimento económico. Os grandes projectos devem ter impacto a prazo.

Um ministro que gere com racionalidade os recursos e fiscalmente responsável é, portanto, um ministro que convence o partido que portagens nas autoestradas, incluindo as Scut, não são assunto para tratar em eleições.

É esta a medida prioritária de Mário Lino, num Governo que, nos próximos quatro anos, não fará outra coisa senão aliviar os impostos que os nossos filhos vão pagar.


publicado por psylva às 16:21
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Chile: a privatização da segurança social


Agora que nos EUA, tal como em outras paragens, se pretende reformar a segurança social é útil analisar as experiências anteriores.

O Chile embarcou num programa de privatização a partir de 1981: quem já estava no mercado de trabalho foi incentivado a colocar 10% do seu salário em fundos de pensões privados; e para quem entrou no mercado a partir dessa data, tal era obrigatório.

A lógica era tripla. Primeiro, aliviar as contas públicas. Segundo, os pensionistas viriam a beneficiar de uma gestão privada dos seus fundos. Terceiro: a economia.

A ideia era que os investimentos dos fundos de pensões promoveriam o mercado de capitais e ofereceriam crédito mais barato às empresas com a consequente aceleração do crescimento económico.

Sendo estes os objectivos, um quarto de século depois, os resultados foram mistos. Do lado negativo, o governo continua a ter que financiar a segurança social porque as contribuições de muitos não foram suficientes para garantir a pensão mínima de 140 dólares/mês. Resultado: ¼ do orçamento do estado continua a ir para a segurança social.

Depois, muitos fundos ficaram aquém das expectativas (em rentabilidade) e acima do esperado (em fees ocultos, por vezes representando 1/3 dos resultados). Em consequência, em alguns casos as pensões privadas não ultrapassam hoje 1/3 do valor que teriam se o pensionista tivesse optado pelo antigo sistema público. Com a diferença adicional de que a pensão privada tem uma vigência máxima de 20 anos e a pública é vitalícia.

Do lado positivo há que aduzir, primeiro que a situação da segurança social pública hoje poderia ser ainda pior, não fora a privatização; segundo, a alta rentabilidade de alguns fundos (10% de rentabilidade média anual); e terceiro, o milagre económico chileno das décadas 80 e 90, alimentado pela aquisição de acções e obrigações das empresas, pelos fundos de pensões.

Em jeito de balanço, a privatização parece ter sido boa para a economia. Mas – e apesar disso – ficou aquém das expectativas quer para o estado, quer para os pensionistas.

Daí o sistema estar agora a ser reanalisado para se fazer uma reforma: controlo dos fees dos fundos; garantir a sua qualidade de gestão; redução do nível das pensões públicas; e adiamento da idade da reforma. São estas algumas das medidas em discussão. Em outras paragens, como no Chile. Para onde é importante olhar para se aprender com a experiência dos outros. Porque a experiência própria é o pior dos professores: dá primeiro o exame e só depois a lição: o erro precede a aprendizagem.



publicado por psylva às 16:20
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O sucesso apesar das desvantagens




As desvantagens portuguesas na internacionalização são três. Com as excepções a confirmar a regra.

Primeiro: pior imagem fruto de dois factores: a influência negativa da imagem do país. E menor visibilidade fruto da sua pequena dimensão: entre os 300 maiores bancos europeus só há sete portugueses. Entre as 50 maiores seguradoras europeias não há portuguesas. E assim sucessivamente.

Segue-se que as empresas portuguesas carecem das economias de escala e efeitos de experiência das estrangeiras. Esta (experiência) faz a curva dos custos de escala baixar com o tempo (independentemente da escala/quantidade).

Donde, as empresas portuguesas têm primeiro uma curva de escala mais alta que as suas congéneres europeias e depois, como as quantidades de produção/vendas anuais geralmente são inferiores, o seu ponto de produção é para a esquerda da empresa maior, fazendo assim com que o custo médio seja duplamente superior: devido a menor escala; e a menor experiência.

Finalmente é também certo que em geral as maiores empresas (europeias) conseguem cobrar prémios de preço que escapam às mais pequenas e têm maior controlo dos canais de distribuição. Numa palavra: têm maior poder de mercado.

Em síntese, (melhor) imagem. (Maior) tamanho. (Superior) poder de mercado. São estas as vantagens das empresas europeias face às portuguesas. Em geral.

Estão pois as empresas portuguesas condenadas ao insucesso? Nada mais longe da verdade.

Relativamente à imagem é bom lembrar que na década 50 e 60 as empresas japonesas tinham uma imagem de simples fabricantes de produtos baratos e sem qualidade.

E quanto à falta de dimensão e poder de mercado, há inúmeros exemplos de empresas que não tiveram um berço de ouro: a Microsoft, Apple, Pizza Hut, Kentucky Fried Chicken, McDonalds, etc.. Não nasceram como um departamento no seio de uma multinacional. Não. Vieram à luz em garagens ou simples lojas isoladas. Por vezes até (como nos casos da Apple e Pizza Hut) com um simples empréstimo de 500 dólares da mãe.

Assim, na sua infância, muitas multinacionais não passavam de PMEs. Mas para que do seio de uma PME saia uma multinacional, é necessário que as PMEs combatam com uma estratégia distinta (e não igual à) dos líderes. Em diferentes segmentos. Com diferentes curvas de experiência. Usando diferentes factores de sucesso. Isto é, nos seus termos. E não nos dos outros. Escolhendo os termos do seu combate. As suas armas. Porque quem luta nos termos do inimigo, quando esta tem nelas vantagem, morre.



publicado por psylva às 16:19
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Ideologia, ‘as usual’



Já há Governo e, para já, só se discute o habitual: mais à esquerda, mais à direita, o que faz ali Freitas, onde está Vitorino.

Importa reflectir, porém, o essencial. José Sócrates foi legitimamente eleito pelos portugueses, que deveriam conhecer o seu ‘background’: um PS que adequa o papel do Estado às exigências da economia de mercado e que sabe que a abertura ideológica ao centro é fundamental. Os ministros Campos e Cunha (finanças), Manuel Pinho (economia) e Correia de Campos (saúde) sublinham essa vocação. Porém, e apesar de lhe terem dado maioria absoluta, esses mesmos portugueses podem não estar preparados para este Governo: e que por cá confundem-se conceitos ideológicos com grande facilidade. Exemplo?
Tudo o que mexe à direita de um discurso social datado é neoliberal. Ora, o neoliberalismo nasceu com um verdadeiro radical da ausência de Estado (Joseph Hayek), cujo pensamento se resume num dos seus célebres exemplos: um homem encurralado numa montanha é livre desde que possa optar (livremente) entre a saída A e B e ainda que ambas o conduzam à morte. E é só essa a liberdade que o Estado deve assegurar, nunca qualquer ideia que suponha intervenção central na redistribuição, a favor da equidade ou sequer do crescimento económico - como defende, e bem, qualquer Governo verdadeiramente democrático. Deveria ser tranquilo, portanto, discutir as reformas de que Portugal precisa. Mas não é. Olhem-se as dificuldades.

1. Falar em flexibilização da lei do trabalho é ser rotulado de neoliberal, quando o despedimento não é arma do capital mas ferramenta dos trabalhadores para ampliar o valor do trabalho, que deve ser premiado pela produtividade e não institucionalizado pelo posto ou anos de serviço. Suiça, França e Bélgica, países onde os nossos emigrantes fizeram sucesso, têm leis laborais incrivelmente mais flexíveis do que as nacionais.

2. Introduzir critérios de gestão privada na saúde nada tem que ver com neoliberalismo. O ‘opting out’, desejado por Correia de Campos, como o princípio dos ‘vouchers’ são instrumentos de equidade porque potenciam a escolha dos mais desfavorecidos - justamente aqueles que não têm margem para fazer opções.

3. Defender mais e melhor concorrência em sectores estratégicos nacionais, valorizando empresas com vocação tecnológica, como quer Manuel Pinho, não é capitalismo selvagem. É saber que, sendo os recursos escassos, é preciso fazer escolhas - o crescimento económico e o emprego não se atingem por decreto, mas com economias dinâmicas e competitivas.

4. Repensar a lógica fiscal, como sugere Campos e Cunha, não é privilegiar o capital, mas sim explorar a racionalidade do sistema, poupando onde o Estado não faz falta e investindo muito onde é necessário, como adiantava há tempos em artigo o agora ministro das Finanças.

5. Por tudo isto, José Sócrates tem uma oportunidade única de governar verdadeiramente ao centro, impondo uma agenda liberal e insistindo no modelo social. É importante que não se modere pelo atraso ideológico do país ou pelo peso que deu no seu Governo à esquerda mais tradicional. O país, e só o país, conta com ele.



publicado por psylva às 16:19
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