Sexta-feira, 9 de Setembro de 2005
O verdadeiro “modelo sueco”
Em 1990, deu-se o colapso do “modelo social sueco”. Em quatro anos, perderam-se meio milhão de empregos.

Por toda a Europa, e não só em Portugal, o “modelo sueco” desperta grande entusiasmo.

Na Grã-Bretanha, consta que o modelo é o grande inspirador de muitas políticas económicas do “New Labour”.

Durante a actual campanha eleitoral na Alemanha, o actual Chanceler, Gerard Schroeder, revelou que a sua ambição é fazer da Alemanha uma “grande Suécia”.

Até em França, nestas coisa de modelos tradicionalmente mais nacionalista, o Primeiro Ministro, Dominique de Villepin, confessou que a sua política económica se inspira, em parte, nomodelo nórdico.

Partindo do pressuposto de que se pode falar de um “modelo sueco”, qual é então a sua natureza?
Em 1950, a Suécia era o paísmais rico da Europa, mas simultaneamente tinha um dos sectores públicos mais reduzidos do mundo ocidental, ao nível dos Estados Unidos.

A partir das décadas de 1960 e de 1970 começaramos problemas. O sector público cresceu de um modo incontrolado. Por exemplo, enquanto em 1950 gastava cerca de 25% do produto interno, em1982 os gastos subiram para 65%. Um outro exemplo revela que entre 1970 e 1990, o sector privado não criou um único posto de trabalho; por outro lado, no mesmo período, quase um milhão de suecos passaram a trabalhar para o Estado. Simultaneamente, os impostos aumentaram, transformando a Suécia no país com os impostos mais elevados do mundo ocidental, e a criação de riqueza estagnou.

Entre os finais dos anos 1950 e os finais dos anos 1980, nas tabelas da OCDE dos países mais ricos, a Suécia passou do quarto para o décimo sétimo lugar. Mais grave, o aumento do Estado retirou liberdade económica e capacidade de iniciativa aos cidadãos suecos, a receita para o crescimento económico dos meados do século XX. Enfim, a deriva social do “modelo sueco” diminuiu a riqueza, criou um “Estado tutor”, e originou uma espécie de “epidemia abstencista”, em quem muitos suecos preferiam viver da segurança social do que trabalhar. Em 1990, deu-se o colapso do “modelo social sueco”. Em quatro anos, perderam-se meio milhão de empregos e o governo foi incapaz de controlar uma dupla crise de finanças públicas e fiscal.

Entretida com o que se passava a leste, o resto da Europa não se apercebeu nem do colapso sueco, nem da revolução que se seguiu. O ressurgimento liberal foi o primeiro passo para as mudanças.

Carl Bildt, líder do Partido Conservador e Primeiro-Ministro entre 1991 e 1994, iniciou a liberalização do “modelo sueco”: privatizou, reduziu o sector público e diminuiu os impostos. Desde 1996, o actual Primeiro Ministro social democrata, Goran Petersson, abandonou a visão social que Olaf Palme tinha imposto ao partido, e manteve as reformas liberais, num processo de resto muito semelhante à “terceira via” de Blair. Hoje, o “Estado tutor” desapareceu e, no seu lugar, surgiu um Estado mais reduzido que coopera com a sociedade, que voltou a garantir a liberdade económica e estimula a iniciativa privada. A economia voltou a crescer e o desemprego a diminuir. É óbvio que a Suécia ainda enfrenta problemas sérios, mas a verdade é que recuperou do colapso dos anos 1990, com a aplicação de receitas liberais.

Devemos retirar duas conclusões do exemplo sueco. Em primeiro lugar, quem olha para omodelo sueco, deve ter a consciência dos problemas causados pela deriva social dos anos de 1970 e 1980. Em segundo lugar, contra a vontade do autor, cumpriu-se a profecia do pai fundador do modelo social sueco, Gunnar Myrdal, que em 1934 escreveu: “se o Estado providência não funcionar na Suécia, então não resultará em mais algum país”.


publicado por psylva às 21:45
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O 'Senhor dos Anéis' à portuguesa
Escrito por: joão césar das neves

Tudo começou com o forjar dos Grandes Anéis Orçamentais. Três anéis de subsídios foram dados aos Elfos Empresários, seres produtivos e entre os vivos os mais sábios e empreendedores. Sete anéis de comparticipações aos Anões Autárquicos, exímios mineiros e artífices habitando nas câmaras municipais. E nove, nove anéis foram entregues à raça dos Homens Ministeriais, que, acima de tudo, anseia por poder.

Mas todos tinham sido enganados, pois um outro anel fora forjado. Nas fornalhas da Montanha Negra, Sauron, o Senhor das Trevas, forjou em segredo um Anel-Mestre capaz de dominar todos os outros, e no qual depositou todo o seu esbanjamento e desperdício, e o desejo de dominar todas as finanças. Nele estava escrito na língua de Mordor "Um Anel que a todos domine, um Anel que a todos encontre, um Anel que a todos prenda e que no despesismo todos retenha."

O Anel da Despesa fez-se propriedade da criatura Gollum, que o levou para os túneis inacessíveis das Repartições Nebulosas e lá o consumiu. Dizia-se que Gollum em tempos fora um Elfo Empresário, um Anão Autárquico ou um Homem Ministerial, mas agora, que caíra sob o poder do Anel, estava todo deformado. Passava os dias a olhar para Anel e a dizer "Meu Precioso, meu Tesouro. É meu, o Precioso". O Anel proporcionou a Gollum uma vida anormalmente longa até à reforma, e durante décadas envenenou-lhe o espírito. E na escuridão da caverna, o Anel aguardou.

Então o Anel fugiu e fez sentir todo o seu poder de burocracia, desperdício e excesso de pessoal. Uma a uma, as Zonas Livres da Terra Média foram vencidas pelo poder do Anel e pelos seus raios de carga fiscal. O Anel da Despesa abafou a produtividade das empresas com impostos e regulamentação. Enterrou os Anões Autárquicos nas montanhas do endividamento. Os reinos da Terra Média, da Planície do sistema nacional de saúde à Floresta do sistema educativo, do Pântano do aparelho judicial aos Picos das forças de segurança, todos tremeram com o terrível encanto do Anel da Despesa.

O feiticeiro Ganfinalmoura, o Cinzento, que estava encarregue de o vigiar, negou durante séculos que houvesse quaisquer problemas orçamentais. Um dia acordou, criou uma comissão, escreveu um relatório com 50 medidas contra o Anel, e cavalgou a toda a brida para ir falar com o chefe da sua Ordem, Saruterres, o Branco. Só que ambos foram atacados por um balrog, um demónio eleitoral do Tempo Antigo, e tombaram no abismo. Um foi para Espanha tratar de electricidades e o outro para a ONU.

O Anel caiu então em poder do ser mais improvável e inesperado, um hobbit do Shire, que sabia que o país estava de tanga. Frurão compreendeu que a única solução era deitar o Anel na fornalha da Montanha Negra, onde tinha sido forjado. Partiu na longa viagem, mas foi logo raptado pelos Nazguls, mortos-vivos da Comissão Europeia. O seu fiel companheiro Sam-tana, um hobbit que gostava de beber cerveja e cantar canções, pegou no Anel e jurou continuar o caminho. Só que, quando entrou na toca da aranha gigante Shelob, ela dissolveu- -lhe a imagem política, depois dissolveu-lhe alguns ministros e acabou por lhe dissolver o Parlamento.

Foi nessa altura que o feiticeiro, que todos julgavam morto, voltou a surgir das profundezas da Terra. Mas em vez de vir como Ganfinalmoura, o Cinzento, apareceu como Gandócrates, o Branco. Foi ele que criou a "Irmandade do Anel", uma aliança de elfos, anões, homens e hobbits para levar o Anel da Despesa até à destruição. Mas como no meio da confusão se tinha perdido o Anel e lhe disseram que era preciso fazer reformas, ele subiu a idade de reforma aos Orcs. A partir daí, a viagem teve de ser feita com Gollum a gritar ao lado "A minha preciosa reforma."

O Anel, para afirmar o seu poder, fez com que Gandócrates, o Branco, ficasse sob o poder das "Duas Torres", a Ota e o TGV, que haverão de perpetuar o despesismo por toda a Terceira Era. E agora, imaginem, o feiticeiro até anda a dizer que a única solução para o problema é "O Regresso do Rei"!


publicado por psylva às 21:44
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