Quinta-feira, 25 de Maio de 2006
Subject: FW: Como manter um nível saudável de insanidade



1 - No teu horário de almoço, senta-te no teu carro estacionado, põe os óculos escuros e aponta um secador de cabelos para os carros que passam.
Vê se eles diminuem a velocidade.

2 - Insiste que o teu e-mail é xena.princesa.guerreira@rtf.pt <mailto:xena.princesa.guerreira@rtf.pt%20> ou elvis.orei@rtf.pt <mailto:elvis.orei@rtf.pt>

3 - Sempre que alguém te pedir para fazer alguma coisa, pergunta se quer com batatas fritas a acompanhar.

4 - Encoraja os teus colegas a fazer uma dança de cadeiras sincronizada.

5 - Coloca a tua lata de lixo sobre a mesa e escreve nela "Enfia a cabeça!"

6 - Desenvolve um estranho medo de agrafadores.

7 - Põe descafeinado na máquina de café durante três semanas. Quando todos tiverem perdido o vício da cafeína, muda para café extra-forte.

8 - No verso de todos os teus cheques escreve "Referente a favores sexuais"

9 - Sempre que alguém te disser alguma coisa, responde "isso é o que tu pensas".

10 - Termina todas as tuas frases com "de acordo com a profecia".

11 - Ajusta o brilho do teu monitor para o que o nível dele ilumine toda a área de trabalho. Insiste com os outros que gostas assim.

12 -Não uses pontuações.

13 - Sempre que possível, salta em vez de andar.

14 - Pergunta as pessoas de que sexo são. Ri histericamente quando te responderem.

15 - Quando estiveres num Mac-drive-in, especifica que é para levar.

16 - Canta na ópera com os actores.

17 - Vai a um recital de poesia e pergunta por que é que os poemas não rimam.

18 - Descobre onde o é que o teu chefe faz compras e compra exactamente as mesmas roupas. Usa-as um dia depois do teu chefe as usar.
(Isto é especialmente efectivo se o teu chefe for do sexo oposto.)

19 - Manda e-mails para o resto da empresa para dizer o que e que estás a fazer. Por exemplo: "Se alguém precisar de mim, estou na casa de banho, 3ªporta à esquerda, 2ª sanita.

20 - Põe uma rede de mosquitos à volta da tua secretária. põe um CD com som ambiente de floresta, durante o dia inteiro e imita ruídos de macaco.

21 - Com cinco dias de antecedência, avisa os teus amigos que não podes ir a festa deles porque vai chover.

22 - Faz os teus colegas de trabalho chamar-te pelo teu apelido:
Duro(a) na Queda.

23 - Quando sair dinheiro da caixa automática, levanta os braços e
grita: "Jackpot".

24 - Ao sair do zoo, corre na direcção do parque de estacionamento, gritando "Salve-se quem puder, eles estão soltos!".

25 - Sempre que o teu chefe te recriminar, diz "não ligue, são as vozes da minha cabeça".

26 - A hora do jantar, anuncia aos teus filhos: "Devido a nossa situação económica, teremos de mandar um de vocês embora".

27 - Todas as vezes que vires uma vassoura, grita "Amor, a tua mãe chegou!"

28 - Por fim, para manter um nível saudável de insanidade...

29 -Manda este texto para todos os teus amigos, mesmo àquele que te o enviou. Ou mesmo que te tenham pedido para não lhes enviares nada.

30- Envia, pelo menos, 10 vezes a cada um!... de acordo com a profecia!



publicado por psylva às 12:25
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A loucura do ganho



Rogério Fernandes Ferreira




Doravante, a empresa apenas tem uma finalidade, não a de ser rendível, o que é indispensável, mas a de aumentar a sua rendibilidade.

Lemos há dias um interessante livro (Viver Mais e Melhor, ed. Presença), pleno de ensinamentos, o que não se estranha dada a categoria e erudição dos seus autores (Joel de Rosnay, Jean-Louis Servan-Schreiber, François de Closets e Dominique Simonnet).

Entre outras reflexões de valia os autores acentuam também que:

“Infelizmente, o capitalismo industrial foi substituído por um capitalismo puramente financeiro. Nesta passagem, o trabalhador desapareceu da paisagem. Doravante, a empresa apenas tem uma finalidade, não a de ser rendível, o que é indispensável, mas a de aumentar a sua rendibilidade: 10% todos os anos. O empregado já não é mais do que um meio, entre outros, para atingir este objectivo. Um meio que se adapta, que se desloca, que se elimina em função desta corrida ao lucro. Como poderia o trabalho conservar o mínimo sentido numa economia desumanizada até este ponto? Simultaneamente assistiu-se, em todo o lado, pelo mundo fora, aos patrões a concederem a si próprios vencimentos que raiam o escândalo. Isto provoca o desagrado do pessoal e acaba por desmobilizar até os quadros superiores. Para quê trabalhar então como um animal com a única finalidade de os ‘managers’ fazerem fortuna ao fim de alguns anos? O capitalismo financeiro desvalorizou de tal maneira o trabalho que fez dele um antivalor, um objecto de rejeição.”

Em Portugal algo se passa de semelhante. Grandes grupos empresariais de sectores financeiros disponibilizam, para os membros dos seus conselhos de administração, aliás bastantes membros, remunerações e benesses que, em média anual, se noticia rondarem 3,5 milhões de euros (700 mil contos) por administrador. Custa a acreditar que estas práticas se verifiquem, pois estão em inteira discordância com a situação económica geral. Muitas das nossas empresas de média ou pequena dimensão vivem em extrema dificuldade, fortemente endividadas, em crescente redução de actividade, com perdas de postos de trabalho e prejuízos a acumularem-se.

Assim, pagar-se, na situação actual, remunerações da ordem de grandeza referida, em país tão pobre como o nosso, em que o salário mínimo anda por cerca de 700 vezes menos, revela extrema insensibilidade, parece raiar a insensatez. Ironicamente, anota-se que os referidos administradores estão a ganhar mais do que muitos dos melhores treinadores e jogadores do futebol mundial.

Convenhamos que num país com as altas taxas de desemprego e com as crises estruturais de vasto espectro com que se depara, as referidas remunerações constituem verdadeira afronta à comunidade. Agravam-se desse modo as já numerosas questões estruturais existentes, a excessiva despesa pública e inerentes défices orçamentais, a tributação distorcida, a pobreza de muitos, as poucas actividades produtivas que restam, o alto consumismo e endividamento, etc.

Em meses passados falou-se das reformas milionárias que afamados homens públicos vinham recebendo, em acumulação com outras reformas ou com remunerações de outros seus cargos. Em muitas reformas não ocorreram as inerentes contribuições sociais. Em anos anteriores falou-se de outros escândalos, de apresentação de documentos respeitantes a deslocações não efectuadas (”viagens fantasmas”). Ultimamente, veio a assinalar-se que pessoas com cargos de responsabilidade picavam o ponto indevidamente, ausentando-se de seguida.

Sempre houve e sempre há pelo mundo fora situações chocantes, causadoras de indignação a quem gostaria de um Mundo melhor, com mínimos de equidade e de conduta ética.

Nos últimos trinta anos muitos de nós empenharam-se em reivindicar e alcançar proventos, regalias e benesses em excesso. Pede-se-lhes que transijam. Encontraram-se actuações pouco ortodoxas.

Fala-se, de há muito, em matar o “monstro” que, de uns modos ou de outros, quase todos alimentámos.

As pessoas de maior responsabilidade social têm de ser exemplares na urgentíssima repartição dos sacrifícios necessários. Está difícil…



publicado por psylva às 12:24
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O excelente negócio do crime
Uma diminuição em metade, da taxa de homicídio no Estado de Belo Horizonte levaria a um incremento de 12% no valor das rendas de casa. Impressionante! Não é?
1. Alta tensão em São Paulo... e não só

Pelo menos por agora, o Estado de São Paulo está mais calmo. O PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior estrutura do crime organizado no Brasil, decidiu parar os ataques às forças de segurança. Mas o secretário da Administração Penitenciária de São Paulo, Nagashi Furukawa, acabou por admitir que quem recuou, e aceitou as condições dos criminosos, foi o Estado.

Depois de mais de 130 pessoas terem perdido a vida, o Brasil percebeu que o crime organizado também manda. Muito e cada vez mais. O PCC reforça, dia após dia, o seu poder. São crescentes as licitações a concursos com «carta marcada», nomeação de pessoas em cargos estratégicos no Poder Público influenciadas pelo PCC, financiamento de campanhas eleitorais, lobie para aprovar projectos no Congresso, corrupção de policiais para garantir que o tráfico de drogas, armas, e outros crimes sejam bem sucedidos.

É um enorme negócio que cresce dia após dia. E a maior economia da América Latina coloca-se todos os dias a jeito para que as coisas corram de mal a pior. Aliás, o Brasil, acaba de cair mais três posições no Índice de Competitividade Global do World Economic Forum (WEF). Isso representa o quarto declínio consecutivo desde 2001, quando o Brasil estava em 44º lugar. A economia brasileira apresentou mesmo o pior desempenho: ficou em 80º lugar. Isso devido a factores como burocracia ineficiente, elevadas taxas de juros, gastos públicos, corrupção, custo da criminalidade, legislação trabalhista restritiva e fraca infra-estrutura. Para os brasileiros, para quem investe no Brasil ou para quem está no mundo dos negócios é decisivo saber que o custo do crime é pesado.

2. A pesada factura do crime organizado

É portanto um facto que a factura que os brasileiros pagam todos os dias por causa do crime, da violência e da corrupção, é pesada e crescente. Valores exactos não existem. A literatura sobre custos da criminalidade no Brasil ainda é incipiente. Os primeiros trabalhos surgiram na década de 1990. Mas um dos autores que mais tem investigado esta temática, Irene Khan, afirma que os custos da violência atingiram 3% do PIB do Estado de São Paulo em 1999 e de 5% no Estado do Rio de Janeiro.

Obviamente são contabilizados os custos directos: bens e serviços públicos e privados gastos no tratamento dos efeitos da violência e prevenção da criminalidade no sistema de justiça criminal, custos suportados com o sistema prisional, serviços médicos, serviços sociais e protecção das residências.

Mas ficam de fora desta conta de somar, por serem muito difíceis de quantificar, a despesa indirecta. Perda de investimentos, bens e serviços que deixam de ser captados e produzidos em função da existência da criminalidade e do envolvimento das pessoas (agressores e vítimas) nestas actividades.

O que hoje é certo, é que a violência produz importantes perdas para o conjunto do País. Ela reduz o desenvolvimento económico e afecta directamente diferentes indicadores sociais. Do ponto de vista económico, a violência tem pelo menos três efeitos importantes. No que concerne ao capital humano da sociedade, a violência reduz esse mesmo capital, mediante a perda directa de vidas e do impacto da insegurança sobre a produtividade do trabalho. Do ponto de vista do capital físico, a violência, por meio da utilização de recursos – mão-de-obra e equipamentos – para combater o crime, também afecta o nível e a composição do produto do País e altera aquilo a que os economistas designam por alocação óptima dos inputs, através da reorientação do espaço urbano e da inibição de oferta de trabalho, por exemplo.

Para se ter uma ideia da influência do crime em toda a economia brasileira, mesmo nos nichos, nos mais pequenos segmentos, pense-se nisto: a diminuição na taxa de homicídio por cem mil habitantes em uma unidade elevaria a renda mensal das casas em 0,61%. Ou fazendo as contas de outra maneira, para um caso mais concreto, uma diminuição, para metade, da taxa de homicídio, no Estado de Belo Horizonte, levaria a um incremento de 12% no valor das mesmas rendas. Impressionante! Não é?

3. Economia do crime... soluções à vista?

Estamos alinhados. O crime, perdoem-me a fria análise mas este é um jornal de economia, custa caro. A todos. Todos os dias. Mas combater o crime custa dinheiro. A indústria brasileira de segurança privada que o diga. Entre 2002 e 2005 aumentou a facturação em 68%. É por isso importante saber o que hoje se pensa ser a melhor estratégia de combate à criminalidade, tendo em conta os custos envolvidos. Ou seja a estratégia mais eficiente.

Um dos autores pioneiros deste assunto, a chamada Economia do Crime, tem sido Gary Becker, sociólogo e economista da Universidade de Chicago (vencedor do Prémio Nobel de Economia de 1992). O autor deixou discípulos que estudam a problemática sobretudo na Universidade de Nova Iorque e na London School of Economics.

De maneira bastante resumida, a Economia do Crime afirma que a criminalidade é uma opção individual, que é determinada por várias variáveis como o emprego, efectividade do sistema de justiça criminal e nível de investimentos na segurança pública. Assim, um criminoso actuaria quase sempre (não há regra sem excepção) de forma racional, porque tem uma percepção dos custos e dos benefícios das suas atitudes.

A tese está provada (através de uma série histórica de 20 anos com dados recolhidos nos EUA) e revela que oportunidades de emprego e efectividade do sistema de justiça criminal realmente são factores decisivos na maior ou menor expressão do fenómeno da criminalidade. Investimento na educação, redução das diferenças sociais também ponderam na redução do crime. Não basta ter mais polícias na rua. É preciso investir em muitas outras áreas. Até porque como se diz por estes dias no Brasil, «o crime está sentado no Palácio».



publicado por psylva às 12:23
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O problema liberal



Domingos Amaral




Porque é que as pessoas haverão de votar em partidos que, em vez de lhes diminuírem as ansiedades, as aumentam?

Desde há vinte anos para cá, não há liberal que se preze que não ache duas coisas: “que o Estado tem um peso excessivo na economia”, e que “a lei laboral tem de ser revista para facilitar os despedimentos”. Juntos, estes são os principais mandamentos da chamada “escola liberal”, que tem influenciado o pensamento político dos partidos de centro-direita. Portas dizia que era “conservador-liberal”, chamando a atenção que o liberal se aplicava às questões económicas. Barroso, e agora Marques Mendes, também se dizem “liberais”, defendendo em teoria estes princípios. No entanto, nenhum deles consegue resolver o principal problema gerado por estes princípios, que é o de ambos conduzirem imediatamente ao aumento do desemprego. Se “diminuirmos o peso do Estado”, rescindindo contratos como Marques Mendes propõe, o que acontece a essas pessoas? Naturalmente, vão para o desemprego. Pensar que, num passe de mágica milagroso, há logo dezenas de novas empresas privadas a desejar contratar esses escorraçados do Estado, é puro delírio. Portugal não tem, nem nunca teve ou terá, uma florescente economia privada, capaz de absorver essa gente. Aliás, basta olhar as estatítiscas do desemprego. De onde são originários os actuais 400 mil desempregados? Do sector público não é certamente, portanto só podem ser do sector privado. Ora, se o sector privado já está a despedir gente, é um absurdo pensar que vai poder absorver os que saírem do Estado. Portanto, se o país desejar despedir funcionários públicos, terá de se preparar para viver não com o desemprego a 8 por cento, mas sim a 10 ou mais.

O segundo princípio liberal tem resultados semelhantes. Eu acho curioso que se continue a reclamar uma lei laboral que facilite o despedimento. Mas, pergunto eu, se é impossível despedir pessoas, de onde aparecem tantos desempregados? Foram eles que se despediram voluntáriamente? O desemprego nos últimos anos tem aumentado sempre, e no entanto os liberais continuam a dizer que é preciso facilitar o “despedimento”. Bom, devemos então concluir que os liberais querem ainda mais desemprego? É isso a única proposta política que têm para fazer ao país?

Se calhar é por essas e por outras que o discurso liberal não ganha nem eleições nem referendos europeus. Em termos teóricos, é tudo muito bonito. Com leis laborais mais “flexíveis”, “Estado mais pequeno”, “o mercado a funcionar”, nascerá de imediato uma sociedade rica e florescente. É claro que há um pequeno detalhe, é preciso vencer eleições, mas isso não interessa aos teóricos. Escapa-lhes um mecanismo fundamental da democracia: para que os eleitores votem em nós, é preciso convencê-los de que vamos melhorar as vidas deles, e não o contrário. Aquilo que o discurso liberal ainda não percebeu, e por isso perde eleições atrás de eleições, é que para o comum dos mortais os riscos da vida aumentam numa sociedade liberal. A globalização, o mercado interno, os produtos chineses, os países de Leste, o euro, a diminuição do peso do Estado, a “flexibilização laboral”, tudo isso aumenta o risco das nossas vidas. Estamos muito mais expostos a perder os empregos por causa disso, o que é fonte de tremenda ansiedade pessoal. A pressão individual sobre a vida das pessoas aumentou brutalmente. E o que é que os liberais nos dizem perante isto? Pois dizem que a pressão ainda devia aumentar mais! Estado Social de Bem-Estar? Deve acabar a mama. Empregos garantidos? Nem pensar. Ou seja, confrontados com um aumento do risco das suas vidas, as pessoas ouvem os liberais falar e percebem que eles ainda querem aumentar mais esses riscos. Não admira pois que não votem neles. Estão a ter um comportamente perfeitamente racional. Porque é que as pessoas, principalmente as classes médias e baixas, haverão de votar em partidos que, em vez de lhes diminuirem as ansiedades, as aumentam?

O doutor Marques Mendes, por quem eu tenho estima pessoal, devia reflectir nisto. Quem continuar a fazer propostas que aumentam o risco da vida das pessoas, pode ficar muito bem visto entre os “intelectuais liberais”, mas não ganha eleições.
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publicado por psylva às 12:22
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A ditadura dos explicadores


Rui Ramos

Uma democracia não se distingue de uma ditadura simplesmente porque os governantes vão, paternalisticamente, explicando às massas ignaras o que a sua insondável sabedoria lhes mandou fazer. A democracia passa pela intervenção do eleitorado no contexto de um debate plural e livre entre políticos com diferentes opções.

Não estamos apenas em época de reformas. Estamos também em época de explicações. A cada "reforma", os ministros explicam tudo, e há sempre comentadores que gostam de explicar o resto. Há quem, no entanto, nunca esteja saciado. São aqueles que acreditam que os portugueses vivem "iludidos". Para eles, o Governo deveria devolver os portugueses à realidade. Como? Explicando ainda mais coisas, enciclopedicamente: a globalização, a economia de mercado, etc. Que nos diz este gosto das explicações sobre a verdadeira natureza do regime em que vivemos?
Tudo isto vem de longe. Nos séculos XIX e XX, quem em Portugal quis instituir uma democracia nunca pensou em o fazer para os portugueses tal como eles eram, mas só para os portugueses como um dia viriam a ser, depois de devidamente transformados pelo Estado. Daí o hábito de entender a política democrática como pedagogia de massas. Daí, também, o princípio de que deveria caber ao governo a última palavra na vida da maioria da população.
Reduzidos a uma massa de "utentes" e "beneficiários", os portugueses foram convidados a abdicar de muitas responsabilidades individuais a favor de um Estado supostamente capaz de resolver todos os problemas. Assim se instituíram direitos, assim se criaram expectativas - tudo aquilo que agora, subitamente, se passou a chamar "ilusões", no momento em que os actuais governantes se convenceram de que a sustentação do sistema aos níveis actuais poderia comprometer a criação da riqueza que querem redistribuir. Como sempre, a classe política não acreditou numa mudança assente na responsabilização dos cidadãos. Preferiu invocar cenários apocalípticos para justificar os cortes necessários à viabilização do estatismo.
As boas almas gostam de afligir-se com o facto de a população não confiar nos políticos. Ninguém, no entanto, repara que essa desconfiança resulta, em larga medida, do facto de os políticos não confiarem na população. Desde 2002, já vamos no segundo governo que é eleito com um determinado programa, apenas para assumir outro muito diferente depois de tomar posse. Em vez de ajudarem os cidadãos a fazer escolhas informadas, os políticos portugueses têm preferido explicar-lhes, depois das eleições, a razão de opções que nunca puseram em cima da mesa durante a campanha eleitoral.
No último fim-de -semana, Alberto Martins esclareceu que o PS, no Governo, estava a cumprir um programa sufragado pelos portugueses. Alberto Martins defende obviamente uma visão muito peculiar da história recente. Na última eleição legislativa, em Fevereiro de 2005, o governo foi disputado por dois partidos, um dos quais dizia que os "sacrifícios" tinham acabado, e o outro que nunca tinham sido necessários. Os actuais governantes, quando se tratou de serem votados pelos portugueses, não falaram no encerramento de escolas e maternidades, nem sequer de uma reforma da Segurança Social durante esta legislatura. Temos tido explicações para as "medidas". Falta-nos, porém, a explicação para o facto de não terem sido previstas no período pré-eleitoral.
Os admiradores dos actuais ministros dizem-nos, off the record, que foi preciso ser assim: se tivessem dito a verdade, não teriam sido eleitos. Deveremos então concluir que a democracia, em Portugal, é incompatível com a verdade, e precisa da ilusão?
Em Espanha, em Setembro de 1989, quando quis adoptar políticas de contenção do consumo e consolidação orçamental, o então chefe de governo, Felipe González, convocou eleições antecipadas. Os espanhóis tiveram a oportunidade de lhe dar - ou não -um mandato com base nessa nova orientação governativa. González explicou então que "não se pode consumir o que não se produz". Mas deu essa explicação antes das eleições, e não depois. Os espanhóis decidiram a seu favor. Certamente que isso dispensou González, nos anos seguintes, de inundar o país com as explicações em que os nossos ministros são agora pródigos. Uma democracia não se distingue de uma ditadura simplesmente porque os governantes vão, paternalisticamente, explicando às massas ignaras o que a sua insondável sabedoria lhes mandou fazer.
Já até houve, neste país, um ditador que conversava "em família" com os portugueses. A democracia passa pela intervenção do eleitorado no contexto de um debate plural e livre entre políticos com diferentes opções. Portugal viveu, durante uma grande parte do século XX, sob um regime que se sentia lisonjeado quando descrito como uma "ditadura de professores".
Teremos simplesmente passado, com a democracia, para uma "ditadura de explicadores"? Historiador





publicado por psylva às 12:21
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Quarta-feira, 10 de Maio de 2006
O etanol do Brasil
Portugal parece um país de drogados, neuróticos, que vêem o preço da droga a subir e já não podem consumir petróleo como antes…

Mais ou menos na mesma altura em que o preço do petróleo atingia novos máximos históricos, o Brasil informava o mundo de que tinha atingido a auto-suficiência energética. Sendo um país de grandes dimensões e com uma população a rondar os 180 milhões de pessoas, ficar auto-suficiente em termos de energia é, não só uma sorte, como também uma importante conquista brasileira. Com algum petróleo, algum nuclear, e algum etanol, os brasileiros ficam assim na confortável posição de não estarem tão sujeitos às nervosas flutuações dos preços internacionais.

É verdade que o Brasil tem um clima quente, o que diminui a necessidade de aquecer as casas, e é também verdade que ter petróleo no território não acontece devido ao mérito, no entanto não devíamos desvalorizar a inteligência de várias gerações de políticos brasileiros, que apostaram em opções que há anos pareciam disparatadas. Tomemos como exemplo o etanol, produzido da cana do açúcar ou mesmo da beterraba. É vagamente semelhante ao álcool etílico que usamos em casa. Quando os brasileiros começaram a apostar nele, foram vistos como excêntricos, uma espécie de inventores malucos que faziam alambiques em casa. Na verdade, várias décadas mais tarde, a aposta revela-se muito interessante. O custo do etanol na produção é de cerca de metade do custo actual do petróleo transformado (em gasolina ou diesel). Ou seja, e desde que os carros estejam preparados para andar com etanol, o que já acontece com quase todas as marcas no Brasil, a factura que o consumidor paga pelo mesmo número de quilómetros percorrido no seu automóvel é quase metade. Neste momento, cerca de 30 por cento do mercado automóvel brasileiro, seja de ligeiros ou de pesados, já usa etanol, poupando assim imenso dinheiro em combustível. Acresce que uma boa notícia nunca vem sozinha, e o etanol é menos poluente do que o diesel ou a gasolina.

Quando ouço Sócrates falar em “choque tecnológico”, lembro-me sempre de coisas deste tipo. Portugal tem de importar todo o petróleo que consome, mas até hoje nunca se preocupou em perceber se seria viável mudar por exemplo…para etanol do Brasil. Isso sim, seria um verdadeiro choque tecnológico. Podíamos começar por importar de lá o líquido e o ‘know-how’, convidando a indústria automóvel a investir em fábricas onde se transformassem as viaturas para poderem circular a etanol. Depois, era só colocar um posto de etanol em cada bomba de combustível normal, facilitando o abastecimento. Numa segunda fase, e não sendo possível plantar cana-de-açúcar, talvez fosse possível plantar beterraba, e hectares por todo o país não faltam. Com o tempo, o país poderia diminuir drasticamente a sua factura energética, ao mesmo tempo que impulsionava a sua agricultura, a sua indústria, e o seu comércio. Com empenho de políticas governamentais que impulsionassem o etanol, tenho a certeza que os portugueses aderiam, com a sua saudável tendência para tudo o que seja novo e eficiente. Se temos elevados consumos de telemóveis, dvd, vias verdes, e carros com GPS, não há razão nenhuma para não acreditar que o etanol não podia funcionar. O governo podia por exemplo lançar um Imposto Automóvel do Etanol, que fosse 20 cento do actual IA, o que daria um excelente impulso à coisa. Depois, poderia obrigar a que todos os táxis, camionetas e camiões mudassem para etanol, o que baixaria logo os níveis de poluição.

Com o actual preço do petróleo, e com o diesel e a gasolina a atingirem valores tão altos, encher o depósito é cada vez mais duro. Num país onde existe uma paixão por automóveis, é um absurdo contra-senso não existir uma mobilização geral para nos vermos livres dessa estranha droga chamada petróleo. Assim, parecemos uns “agarrados”, cheios de neuras porque o preço da droga está a subir e a malta já não pode consumir as doses que consumia… Tal como no combate às drogas se aposta na substituição por metadona, no combate ao petróleo podíamos apostar em substituição por etanol brasileiro.



publicado por psylva às 09:55
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PIB e inquietações
É frequente o crescimento do PIB mostrar-se aparente, se se tomar em conta reflexos em má qualidade de vida, ambiente e segurança.

Há cerca de quatro décadas, e por motivos então óbvios, proclamava-se na União Europeia o “crescimento zero”. Actualmente é diferente. Os povos dos países mais desenvolvidos sentem desespero quando as estatísticas revelam crescimento pouco significativo. Aliás, é frequente o crescimento do PIB mostrar-se aparente, se se tomar em conta reflexos em má qualidade de vida, ambiente, segurança, crise de solidariedade, deterioração social e comportamentos.

Atente-se, entre outros exemplos ou situações, no tabaco: a produção de cigarros, obviamente, entra nas estatísticas do PIB – uma produção que se destina a ser queima e cinza, que mais tarde gerará novos contributos em termos de PIB – serviços de Saúde e outros derivados dos malefícios do tabaco.

Outra citação relevante na actividade acerca da formação do PIB é a do crescimento da insegurança. E aparecerem serviços de protecção e vigilância, com pessoas e equipamentos para esses efeitos. As fábricas e os estabelecimentos de venda e de atendimento e as habitações apresentam-se, agora, com gradeamentos nas portas e nas janelas e os muros são mais altos. Tudo isto fará crescer a expressão do PIB, mas por aí há pior qualidade de vida. Os que roubam e agridem geram queixas e obrigam a trabalho extra, de magistrados, advogados, polícias e vigilantes. Tudo a acrescer o PIB.

Os elevados e dispendiosos volumes de equipamentos de que hoje se dispõe sofrem os efeitos dos desgastes e das inovações, o que obriga a substituições frequentes, regulares ou extraordinárias. Pense-se, por exemplo, no elevado número de viaturas particulares e dos encargos anuais com desgastes, consumos, substituições, reparações ou danos por desastres.

Criaram-se mais e melhores estradas, mais acessos, mais pontes e portagens, com a inerente conservação de tudo isso. Cada vez mais dispendioso e mais estrutural e sem retornos. Agora, sofrem-se as subidas nos preços dos combustíveis.

Muitas famílias passaram a fruir de habitações em duplicado, ou triplicado – casa na zona de trabalho, casa para fins de semana e/ou férias, na praia ou no campo. Por aí, surgiu mais produção, mais PIB, mas também desperdícios, gastos de conservação subsequentes e capitais empatados sem rendimento para a comunidade.

As famílias em comunhão de mesa e habitação passaram, via de regra, a ser só de pais e filhos menores. Os idosos, reformados e doentes passaram a viver em creches, lares e casas de repouso. E os filhos mais pequenos, dadas as ocupações de pais e mães e os afastamentos dos avós passaram a ser confiados a instituições variadas (lactários, creches e jardins escola).

Os alimentos, dantes, adquiriam-se, via de regra, directamente, aos agricultores. Os produtos que ora se vendem aparecem transformados, pela indústria, embalados e sofisticados, donde encarecidos. Tudo isto expressa-se em mais PIB, mas com muitos artificialismos. Materialidade igual, mas expressão de valor mais elevada.

São estas rupturas e insustentabilidades que se vão observando. No rigor, “produções reais” em Portugal é o que pouco se vê. Fecham as empresas e cessam actividades. Agricultura, pesca, extracção de minério, indústrias transformadoras diversas vão desaparecendo. Resta um quase nada.

Muitos portugueses pouco ou nada produzem. E muitos fazem turismo lá fora, compram lá fora, mandam capitais para fora. O Estado, por seu turno, tornou-se excessivamente despesista. Carece de mais receitas e sobe os impostos, e continua em défice. Mas as estruturas resistem.

Quem examina a excessiva despesa do Estado inquieta-se então. Claro que fazer despesa é fazer solicitações a fornecedores de bens e de serviços. As receitas do Estado também se configuram, em contrapartida, como prestações de serviços algo genéricas aos cidadãos e entidades. Eis aí também mais PIB (!) nos apuramentos da contabilidade nacional.

E já que há excesso de gastos da Administração Pública, então, bom seria que tais gastos gerassem reais valias e úteis serviços para a generalidade dos cidadãos – propiciando justiça, prevenindo crimes, castigando criminosos, melhorando a saúde e a educação. Ter-se-ia, assim, mais bem-estar e felicidade, digamos, … um PIB “melhor”. E é pena que tal não ocorra!
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publicado por psylva às 09:54
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CASA DE GENTE ILUSTRE


Um jornalista do Primeiro de Janeiro dá-se conta de que existe uma casa de meninas no Porto onde vão alguns dos ilustres dirigentes desportivos, e decide fazer uma investigação a esse respeito.

Fala com a Madame Cafetina e pergunta:
- O major vem aquí?
- Sim, claro. Dá gosto, um cavalheiro. As melhores meninas, o melhor champanhe, as melhores gorjetas. Cada vez que vem, é uma festa.
- E o filho vem?
- Sim, também. Mas não é a mesma coisa. Pede sempre desconto, nunca bebe champanhe, nunca está de acordo com a conta, queixa-se sempre e ameaça-nos com denuncias à polícia.
- E o senhor Reinaldo Teles vem?
- Sim, mas não procura meninas e sim meninos.
- E o Pinto da Costa?
- Também vem, mas esse fica só um bocadinho. Entra, dá um beijo na mulher e vai-se embora .


publicado por psylva às 09:53
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Fortunas: Fidel Castro é o 7º governante mais rico do mundo




A revista financeira norte-americana Forbes coloca o Presidente cubano, Fidel Castro, na sétima posição da lista dos dez governantes mais ricos do mundo, com uma fortuna calculada em 900 milhões de dólares.

A lista, divulgada hoje, é constituída pelos dez governantes ou soberanos mais ricos do planeta e é encabeçada pelo rei da Arábia Saudita, Abdulã Bin Abdelaziz, sendo-lhe estimada uma fortuna à volta dos 21 mil milhões de dólares.

Logo em segundo lugar vem o sultão do Brunei, Hassanal Bolkiah, com 20 mil milhões, seguido pelo presidente dos Emiratos Árabes Unidos, o xeque Jalifa bin Zayed Al Nahyan, com 19 mil milhões, e pelo emir do Dubai, Mohamad bin Rachid Al Maktum, com 14 mil milhões.

Na Europa o destaque vai para o príncipe Hans-Adam, do Liechtenstein, com quatro mil milhões, e para o príncipe Alberto do Mónaco, com mil milhões de dólares, que ocupam o quinto e o sexto lugares, assim como a rainha Isabel II de Inglaterra, com 500 milhões, e a rainha Beatriz de Holanda, com 270 milhões, em nono e décimo lugares, respectivamente.

O único representante africano é o presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, que ocupa o oitavo lugar, com 600 milhões de dólares, da mesma maneira que Fidel Castro é o único representante da América Latina, a quem se estima uma fortuna na casa dos 900 milhões de dólares.

Para os investigadores da revista, a fortuna do presidente cubano cresceu enormemente nos últimos anos, uma vez que em 2003 tinha cerca de 110 milhões e dois anos depois 550 milhões.


publicado por psylva às 09:53
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> >>> >O Mito foi quebrado, afinal existem loiras inteligentes! ;-)

> >>> > - Conheço uma maneira de conseguir uns dias de folga . - diz o
> >>> >empregado à sua colega loira.
> >>> >
> >>> > - E como é que vai fazer isso? - diz a loira.
> >>> > - Vou demonstrar. - diz o empregado. Nisto, ele sobe pela viga,
>e pendurou-se de cabeça para baixo no tecto.
> >>> > Nesse momento o chefe entrou, viu o empregado pendurado no tecto
>e perguntou:
> >>> > - Que diabos você está fazendo aí?
> >>> > - Sou uma lâmpada. - respondeu o empregado.
> >>> > - Hummm... acho que você precisa de uns dias de folga. Vá pra
>casa.
> >>> Ouvindo isto, o homem desceu da viga e dirigiu-se para a porta. A
>loira preparou-se imediatamente para sair também.
>
> >>> > O chefe puxou-a pelo braço e perguntou-lhe:
> >>> > - Onde você pensa que vai?
> - Eu vou pra casa! Não consigo trabalhar às escuras...!!!


publicado por psylva às 09:52
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