Sábado, 6 de Agosto de 2005
Como os japoneses sobrevivem aos chineses?
Por:


Jorge A. Vasconcellos e Sá



Como sobrevive a indústria japonesa - com custos salariais vinte vezes mais altos - ao ataque chinês? Que lições retirar para o ocidente?

A resposta tem seis vertentes: 1) especialização na qualidade intrínseca; 2) produtos de custo, mas onde os salários pesam pouco; 3) clusters; 4) conceito de “fábrica mãe”; 5) rapidez de entrega; e 6) brand equity (qualidade percepcionada/imagem). (E deixando de fora os serviços, naturalmente).

Comecemos pela qualidade intrínseca: há aqui duas situações distintas: produção de pequenas séries; e produção em massa. Produção em pequenas séries: Takenaka Mnft. Baseada em Osaka, faz os maiores parafusos do mundo (com + de 4 metros) para centrais nucleares. A Takenaka também domina outro nicho: o dos parafusos anti-corrosivos, que se vendem a um preço dez vezes superior ao das porcas vulgares.

Depois, na produção em massa também há lugar para qualidade, quando é absolutamente indispensável zero defeitos. Aqui torna-se primordial um sistema de controlo de qualidade como uma actividade distinta da produção. É o caso de muitos componentes eléctricos que apesar de terem preços baixos, basta um único defeituoso para que um equipamento cujo preço final é de milhares de euros, não funcione adequadamente.

Há depois os produtos que se vendem com base no preço mas onde o peso salarial é diminuto. Não mais de 5 ou 10%. E assim os ganhos de outsourcing para o estrangeiro são mais que eliminados pelos custos de transporte, coordenação e vários tipos de risco.

Outra razão para a permanência de fábricas no Japão são os clusters entre fábricas: um network entre a fábrica cliente e várias especialistas que oferecem componentes e serviços. A proximidade permite um intercâmbio permanente de ideias, propiciando pequenas e contínuas melhorias no produto final.

Distinto, é o conceito de “fábricas-mãe” que situadas no Japão fazem o 1) R&D, 2) design e 3) operações onde a qualidade é fundamental ou 4) o salário não pesa no custo; e passam para as “fábricas-filhas” as operações predominantemente de custo e salários. A localização prioritária destas? A China, naturalmente.

Finalmente há toda a parte da indústria ligada a brand equity. Ao marketing da indústria (embora a fábrica seja deslocalizada) e todos os produtos como vários tipos de semi-condutores, onde a rapidez de entrega é critica: entrega-se hoje para ontem.

Estas seis razões explicam porque o Japão - apesar de outsourcing para a China, Vietname, etc. a produção de bens de 1) preço e 2) com grande peso salarial, como os têxteis, - tem uma indústria ainda com grande peso: 31% do emprego e 22% do PIB. Contra, respectivamente: 25% e 19% na Grã-Bretanha; e 23% e 18% nos EUA.

Indicando que a competitividade resulta, não de defender o indefensável, mas de apostar onde se tem vantagem competitiva. Isto é: “defender o ontem é um risco maior que construir o amanh㔠(P. Drucker).



publicado por psylva às 21:27
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