Domingo, 5 de Junho de 2005
defices
Um défice a caminho dos 7% mostra um país afastado do que antes se chamava "governo limitado". Um país sem respeito pela equidade entre gerações. Um país que não pode investir, que não pode reduzir impostos, que não tem liberdade. Por esta via ainda nos tornaremos um país sul-americano, com baixo crescimento económico, um Estado corrupto e uma inalterável desigualdade social. Não é muito diferente nascer nos Estados Unidos ou na América Latina excepto se se nascer pobre. Receio que a latinização de Portugal esteja em curso.

Que o défice é antes de tudo uma questão política, pode comprovar-se pelas entrevistas de anteontem, no DN, a um grupo de economistas. Não disseram nada que não se adivinhasse. Mas sintomaticamente, a maioria diverge sobre as medidas a tomar uns pedem acções imediatas e duras, outros soluções de continuidade; uns sugerem aumentos de impostos, outros a redução de prestações sociais; uns pretendem que o défice é prévio à economia, outros temem que resolver primeiro o défice não mude os problemas de fundo.

Na última década, muitos economistas ocuparam a pasta das Finanças. Nem por isso o défice diminuiu. A razão é que, de Sousa Franco a Bagão Félix (para não recuar ao cavaquismo), os ministros das finanças serviram políticas e primeiros-ministros. Não foram eles que erraram, mas aquelas políticas; e, salvo casos pontuais e conflitos esporádicos, a maioria nunca se opôs aos paradigmas que lhes foram impostos. O destino de um ministro das Finanças costuma ser ou a glória ou a miséria. Não há, de facto, meios-termos.



publicado por psylva às 10:29
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