Domingo, 10 de Abril de 2005
Há muito tempo que se fala na necessidade de reformas estruturais.


Ambos factos são más notícias. A “necessidade” indica que a sociedade está desorganizada: na educação, na administração, etc. O “há muito tempo” significa que não tem havido capacidade.

A razão é dupla: dificuldade (devido à complexidade e resistência dos lobis/corporações); e risco (a impopularidade pode levar à perda de eleições).

Para ultrapassar ambos é necessário uma coisa: chama-se coragem. A qual faz parte do temperamento. Juntamente com outras qualidade como o bom senso, a determinação e a decência.

E como referiu C. Wallace na sua análise dos factores de sucesso dos governantes:
- Inteligência?: secundária;
- Conhecimentos?: ajudam;
- Temperamento (e carácter)?: fundamentais.

Tal é ilustrado por vários presidentes americanos que nos seus mandatos foram contra a corrente dominante e preteriram interesses, por princípios:
- George Washington que combateu no oeste da Pennsylvania a rebelião contra o imposto do álcool;
- Andrew Jackson que lutou contra um congresso que apoiava o quase monopólio do Second National Bank;
- Ulisses Grant e a sua decisão de não intervir em Cuba;
- Woodrow Wilson que levou os EUA a entrar na Iª Guerra Mundial (contra a doutrina Monroe de isolacionismo então prevalecente);
- Harry Truman e a ponte aérea para abastecer Berlim (quando os seus generais recomendavam retirar e abandonar a cidade aos soviéticos);
- Richard Nixon e a abertura à China (contra a opinião conjunta, quer dos republicanos, quer dos democratas);
- Etc. Etc.

De todos estes exemplos emergem três coisas fundamentais:
Primeiro: tratam-se de governantes que foram contra a opinião dominante. Seguiram as suas convicções, não as suas conveniências. Princípios, não interesses (imediatos). Apoiando-se na coragem, a qual, como disse Churchill: “é a primeira das qualidades porque garante todas as outras”.

Assim (segundo): com coragem transformaram-se de meros políticos (preocupados com a próxima eleição) em estadistas (preocupados com a próxima geração). Praticaram liderança (seguindo aquilo em que acreditavam) e não seguidismo (seguindo as sondagens).

Terceiro: e assim tiveram sempre a sua recompensa. Ou no imediato, quando a opinião pública mudou a seu favor. Ou no longo prazo com a História a lembrar-se deles. É o caso de T. Jefferson e o embargo que declarou contra a Grã-Bretanha.

Isto é, libertaram-se para sempre da “lei da morte” (Camões), porque colocaram a ambição ao serviço da contribuição. E como tal, e por tal, não estão esquecidos mas são ainda hoje lembrados. Porque fizeram obra.



publicado por psylva às 16:25
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