Domingo, 10 de Abril de 2005
Borges 4
Cavaco Presidente seria bom para o Governo

Cavaco Silva na Presidência seria exigente para o Governo e isso seria bom para o Governo e para o país, considera António Borges.
Que importância tem para o PSD e para o país uma eventual candidatura de Cavaco?
Para o PSD tem a importância de permitir ganhar as presidenciais. O partido deve assumir essa candidatura como sendo a sua candidatura natural, uma candidatura ganhadora e que nos recoloca no caminho das vitórias.
Há quem diga que a vitória de Cavaco não vai ajudar à reconstrução da direita, pois tem uma visão conservadora e estatista...
Dizer que o homem que mais transformou o país é conservador e estatista não faz sentido. Mas a questão é outra: ele representa uma forma diferente de estar na política, com seriedade e integridade. E com sentido de missão.
Trabalharia bem com José Sócrates?
É, porque vai haver da parte do PR uma exigência que só pode ser boa para o Governo e para o primeiro-ministro. É esse o modelo da Constituição: a legitimidade do PR para, em representação dos eleitores, ser muito exigente com o Governo. Isto é positivo para todos.
Os portugueses terem dado maioria absoluta ao PS não o leva a pensar que querem um PR mais ausente e menos interventivo?
Não, pois o peso da esquerda na AR não é representativo do país. As pessoas votaram assim por estarem muito descontentes com o PSD e com o PP. A oportunidade para repor o equilíbrio será aproveitada pelos portugueses.
As pessoas têm vontade de ter confiança, mas ainda não têm. O que é que o Governo deve fazer para ultrapassar esta situação?
Deve dar estabilidade macro-económica, pois só assim dá garantias aos empresários de que daqui a três anos não voltam os problemas. E deve fazer uma aposta brutal na inovação e na competitividade. Isto não se consegue através do Estado, mas sim dando aos empresários condições para avançar. Se estes vêem que Estado gasta é mais dinheiro, lança mais projectos por si dirigidos, dá mais poder aos incumbentes, que nunca são inovadores, então desistem.
Fazer oposição ao PS é exigir que o Governo cumpra as suas próprias ideias?
Na parte que me toca, apoiarei o PS em tudo o que fizer de positivo. Agora, cá estarei para verificar se cumpre ou não.
O programa do PS é o certo?
É muito vago. Está cheio de boas intenções e não há nenhuma garantia de que o que promete é viável. Como vão gastar muito mais dinheiro na ciência, nos grandes projectos e na área social sem aumentar os impostos e mantendo as Finanças Públicas sobre controlo?

Reforma do PEC é um desastre

Como avalia a reforma do PEC?
É péssima para a Europa e um desastre para Portugal, pois era a melhor ajuda que os ministros das Finanças e os governos tinham para fazer uma coisa que têm que fazer de qualquer maneira, que é pôr as contas públicas na ordem.
O PEC não era também uma forma de permitir aos Estados enganar a Europa, apresentando soluções imaginativas?
O PEC não era tão estúpido como parecia, pois permitia alguma flexibilidade e esta vinha precisamente de receitas extraordinárias, da redução do peso do Estado através de vendas de activos, não de fraudes. Em todos os países os Estados têm activos, como o imobiliário (é o caso de Portugal), que estão desaproveitados e que podem ser vendidos. Ao vendê-los o Estado está a libertar recursos para o sector privado, a reduzir a sua dívida pública e o impacto financeiro do défice é menor. É preciso é criar um modelo de passagem destes activos para o sector privado que seja transparente e aceite por todos.

A dissolução da AR criou um precedente grave

O que é que representou Pedro Santana Lopes para o PSD?
Um fracasso confirmado pelo eleitorado, que não deixou qualquer margem para dúvidas.
Como é que o PSD deixou que isto lhe acontecesse?
É preciso fazer uma reflexão muito profunda para que não volte a acontecer. Temos que nos interrogar como é que o PSD aceitou essa solução sem a discutir.
Jorge Sampaio fez bem em dissolver a AR face a uma governação catastrófica?
Não. Essa é outra questão. O Presidente fez uma coisa inédita em Portugal e que é um precedente importantíssimo para o futuro: agora pode-se dissolver uma assembleia em qualquer momento, mesmo quando o governo tem a maioria. A partir de agora qualquer novo governo vai estar sob esta espada de Dâmocles e pode inibir-se de tomar medidas impopulares que só tenham resultados a prazo.
Mas admite que o povo votou bem.
Só que a Constituição não prevê que se vote de dois em dois anos.



publicado por psylva às 16:14
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