Domingo, 10 de Abril de 2005
Borges 2
Os nossos partidos estão habituados a gastar demais e isso torna-os dependentes dos interesses

Na moção que vai apresentar ao Congresso o grupo de militantes de que António Borges faz parte considera que é necessária outra forma de fazer política, mais exigente e mais íntegra. Até porque o país necessita de políticos mais independentes dos interesses particulares.
A moção defende uma nova forma de fazer política? Como?
Definindo um nível de exigência muito elevado no que respeita a questões de integridade, de independência e de supremacia do interesse colectivo sobre o particular.
O que significa para si independência? Não estar ligado a uma empresa?
Pelo contrário: era bom que houvesse mais ligação à sociedade civil. A política é saber lidar com interesses vários. Daí precisarmos de partidos e de governos mais independentes e mais fortes que se possam empenhar exclusivamente no interesse geral e que não fiquem hipotecados aos interesses particulares. Esses particulares surgem porque a sociedade e a economia têm uma atitude muito proteccionista e defensiva, existe a ideia de que o papel do governo é proteger os interesses instalados, as empresas que temos hoje. É o contrário do que interessa aos país, pois representa uma lógica destrutiva do nosso potencial de desenvolvimento.
A regeneração da política implica modificar o regime do registo dos interesses dos políticos ou do financiamento partidário?
Deve haver uma maior percentagem de financiamento público e mais fiscalização. Os nossos partidos estão habituados a gastar demais. Vivi nos EUA, em França e em Inglaterra, mais ricos que nós, e não há nada comparável às nossas campanhas eleitorais. É um exagero e está muito para além do necessário em democracia, colocando os partidos em situação financeira frágil e muito dependentes dos interesses económicos.
É errada a ideia de que se deve proteger as empresas, dar-lhes dimensão e depois impedir take-overs hostis, vindos do exterior?
Essas empresas sabem governar a sua vida, sabem o que lhes interessa. O que uma política económica deve fazer é criar condições para que outras empresas apareçam, e que sejam inovadoras. Deve também contribuir para modificar a estrutura da economia, criando espaço para as empresas funcionarem, libertando recursos. Não falo contra as empresas grandes e antigas, falo a favor das novas.
A sua moção é neoliberal?
Não. Vai é ser uma moção que apresentará um modelo económico muito mais moderno, mais orientado para o futuro e para novos agentes de mudança, que hoje nem sabemos quem são. Será uma grande aposta na liberdade de empreender, de inovar, quer na economia, quer na cultura, quer na ciência.
Pode-se apresentar uma moção sem concorrer à liderança? O novo líder vai querer governar com a moção que apresentar...
Estou em completo desacordo. Há a tendência em Portugal para que a política se limite à escolha do líder, mas queixam-se de que não há debate de ideias. Para nós é mais importante o debate de ideias e a sociedade vai apreciar que haja confronto de opiniões. Este projecto é de longo prazo, não é para saber quem ganha as eleições amanhã. E é bom que o PSD tenha quatro anos na oposição para se reconstruir.
Já disse que não quer ouvir falar de Menezes. É o tipo de gente que não quer no PSD?
Representa uma forma de fazer política que não é a minha. É a política de resposta a oportunidades, sem linha de rumo ou ideias mobilizadoras. É isso que me leva a preferir Marques Mendes, mesmo sem ser o líder ideal.
Essa posição não enfraquece Mendes?
A democracia é isso. Não é unanimismo. Não é dizer que passou a ser o homem perfeito.
Na entrevista à RTP disse que lhe faltava carisma, que era prudente, e logo a seguir falou nos desafios importantíssimos que o país tem pela frente e que necessitam de coragem.
Vamos ver como é que se revela. Quando Barroso chegou a líder ninguém esperava que chegasse a presidente da Comissão Europeia...



publicado por psylva às 16:13
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