Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2005
Bela Adormecida
O mais prestigiado investidor americano, compara as aquisições empresariais à história da Bela Adormecida:
“Muitos gestores ainda estão sob a influência da história da infância, em que um belo príncipe liberta do sono eterno uma bela princesa. E assim acreditam que o seu beijo empresarial pode também fazer maravilhas nos lucros das empresas adquiridas. Este optimismo leva-os a pagar 2 vezes e mais o preço pelo qual os seus accionistas podiam adquirir as acções da empresa-alvo no mercado.”

Infelizmente muito deste optimismo tem-se revelado injustificado. Isto é, temos visto muitos beijos mas poucos milagres. Como refere M. Sirower da New York Univ., no seu livro, “A Armadilha da Sinergia”, ao indicar que 65% das aquisições falham.

Porque tantas aquisições falham? Há 2 grandes ordens de razões. Primeiro, muitas vezes o prémio de preço é demasiado alto e mesmo que o todo seja maior que a soma das partes, ele não é suficientemente grande para compensar o diferencial face ao preço das acções no mercado.

O preço é determinado pelas razões erradas: testerona (tédio do dia a dia de “business as usual”); vaidade (sou o único do meu grupo de golfe que não comprou nada recentemente...); poder (tamanho é poder); ambição (os meus prémios dependem do cash flow ou lucro sem descontar o custo de capital - EVA).

Segundo, não só muitas aquisições não criam suficiente valor, como por vezes... destroem valor. Isto é, o todo fica menor que a soma das partes.

Porquê? Começa que implementar as sinergias potenciais requer um plano detalhado de acções, uma mão dura e uma cabeça clara por detrás do plano. Senão problemas surgirão: quando a Wells Fargo comprou a First Interstate milhares de clientes saíram devido a filas, falhas nos documentos bancários e problemas administrativos em geral.

Outras vezes, para além de falhas na implementação, acontece que a sinergia negativa (descurada) ultrapassa a positiva (esperada). Diferenças culturais têm aqui um papel importante: a Pharmaco (sueca) e UpJohn Inc. (americana) (associação 50:50) discordaram em tudo: estilo de gestão (o gradualismo sueco versus o enfoque nos resultados imediatos americanos); no sistema de incentivos; no período de férias (tirar todo o mês de Agosto é impensável para os americanos); e até na prática americana de banir alcóol no almoço. Não conseguiram sequer por-se de acordo onde devia ser a sede.

Que fazer? Ex-post, ter um plano detalhado, uma mão forte e uma cabeça clara para implementar as sinergias. Ex-ante, ter uma lista de tudo que pode correr mal e compará-la cuidadosamente com as razões para avançar.

E ambos requerem uma pergunta e uma atitude. Pergunta: como é que a aquisição se insere no nosso negócio e potencializa como ganhamos dinheiro? E (atitude): o ónus da prova está na aquisição. O benefício da dúvida em não fazer nada. Em ficar quieto.

Se estes princípios (entre outros) não forem seguidos, as aquisições serão como os segundos casamentos: um triunfo da esperança sobre a experiência...




publicado por psylva às 21:50
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