Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2005
A escola dos «boys»
Desaguaram num só e mesmo rio vindos de azimutes diversos. Uns fizeram toda a escola partidária e outros fartaram-se de descarregar adrenalina nos encontros informais de ‘start-ups’.

Procuraram a política sem ponta de altruísmo e chegaram ao poder por mero acaso. É a nova geração. E a pergunta é legítima: que se pode esperar dela?
Do mesmo modo que é mau que não saiba sair quem já chegou à idade inteira, é igualmente mau querer entrar só por se ter chegado à meia idade. Só em Portugal e no actual estado das coisas é que a referência etária tem os contornos de estatuto. E só por si é um estatuto. Os que vieram da escola partidária e nela esgotaram o seu mundo, especializaram-se no abate a putativos candidatos aos mesmos lugares. São funcionários políticos, profissionais do trapézio, acompanhando, se possível, todos os líderes por julgarem ser esse o seu modo de vida. E, em muitos casos, por não terem outro. Rodar, aguentar, sobreviver no partido albergue que lhes dá guarida. Nada, absolutamente nada, fizeram, nos últimos vinte anos, fora da política. Solidariedade, só conhecem a funcional. Os outros, apelidados de criativos, dissertam frequentemente sobre as diferenças entre o ”made in” e o ”made by”, explicando, com uma pontinha de enfado, que uma coisa é o ”made in” e a sua exportação e outra é o ”made by” que releva da concepção. E acham-se geniais. No Beato ou noutros palcos que montam para si próprios. Solidariedade, não conhecem. Entre ambos os géneros há algo em comum: a ambição sem limites, um egocentrismo sem baias e a ausência de compromissos. Julgam que a ambição é tudo em política e compromissos só os têm de si para si mesmos. Como num caso e no outro não tiveram tempo ou paciência para a formação, não sabem muito de nada. Conheço-os bem. Os da escola partidária foram requisitados para o terreno, para o exercício de funções a que chamam o ”trabalho político” e os outros fartaram-se do que faziam antes da luzinha da política procurada cintilar. Entre a falta de tempo e a falta de paciência, encontraram-se na curva do caminho e julgam-se felizes. Uma felicidade que passará quando passar o poder.

Destes géneros não se pode esperar grande coisa. Nem sequer se podem esperar dúvidas oriundas da ética ou condutas que não tenham sempre uma componente de truque. É por isso que uma nova geração, só por si, não traz nada de relevante nem de edificante à causa pública. Nem será retida na memória por ter deixado obra para lá da mera conjuntura. Porque não se lhe nota qualidade ou porque a ambição desmedida matou a qualidade. E porque se lhe notam tiques de prepotência. Mas não se pode confundir meia dúzia de árvores com a floresta. Nem toda a nova geração é esta geração. Há gente com outros contornos e outra formação. E há, felizmente, gente feliz a fazer bem o que faz. Mas fora deste magma de que é preciso estar longe.







publicado por psylva às 21:25
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