Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2005
O financiamento dos partidos
Ralph Nader, pai do consumerismo (com o seu livro em 1965 ‘Unsafe at any speed’, acusando a General Motors de conscientemente vender carros poucos seguros), e candidato presidencial americano, publicou recentemente um livro: ‘The good fight’.

Começando por comentar Cícero (”liberdade é participação no poder”), Nader defende que a democracia está a ser substituída por uma plutocracia e o governo do povo subvertido pelo domínio das empresas.

E muitos americanos parecem concordar com Nader: em 2000 segundo um inquérito da Business Week, 72% dos americanos pensavam que as empresas tinham demasiado controlo sobre as suas vidas. Não se trata naturalmente de substituir o capitalismo por qualquer outra forma de economia. Porque, adaptando Churchill, o capitalismo é o pior sistema com a óbvia excepção de... todos os outros. É o menor dos males. E a sua grande vantagem é que traz liberdade. E tanto mais, quanto melhor reformado.

A lista de reformas é extensa. Rever o financiamento dos partidos e a sua intervenção na comunicação social. Evitar também, nesta, a influência dos grupos económicos. Coarctar a sua posição dominante (abuso de poder no mercado). ‘Empower’ as associações de consumidores como 5º poder democrático. Legislar para maior responsabilidade social das empresas (com os clientes). E ‘corporate governance’ (com os accionistas). Etc.

Caso contrário? Uma democracia formal e uma ditadura real. Sob capa da liberdade, a tirania (Nader).E seguem-se os exemplos. Deutsche Bank. Lançou um fundo de acções designado TOP 50US (também vendido em Portugal). Resultado? Entre 1999 e 2004 baixou 50% de valor (sem contar com a evolução do dólar). No mesmo período o Dow Jones baixou 5% e S&Poors 18% . Isto é, o fundo diminuiu cerca de 10 vezes mais que o DJ e 3 vezes mais que o S&P.

Que fez então o Deutsche Bank? Tenta melhorar o desempenho? Não. Fecha o fundo e devolve (metade) do dinheiro aos subscritores. Mais. Embora o fundo se chamasse TOP 50US, 42% dos activos e 48% do valor do fundo não foram investidos nas 50 maiores empresas americanas. Há até + 5% do fundo que nem entre as 500 maiores empresas estão.

Segue. Durante a vigência do fundo, os gestores receberam fees não relacionados com o desempenho. E o banco exigiu aumentos de garantias (a medida que o fundo se desvalorizava). Além de juros sobre os empréstimos, é claro. Etc.

Excepção? Bem, em 2001 o Deutsche Bank promoveu uma oferta da Deutsche Telecom. Quem comprou viu passados meses, as suas acções desvalorizarem-se 78%.

Outro exemplo: Santander. Recentemente um semanário informava que a CMVM aplicou uma multa de 275 mil euros por um fundo não ter sido gerido com “elevada diligência e competência profissional”. Entre outras razões.

Em síntese: reformar o capitalismo para “empower” os consumidores; empregados; cidadãos em geral; e accionistas. O que requer diminuir o poder dos gestores.

Porque se o socialismo é o estado a mandar nas empresas, o capitalismo não pode ser as empresas a mandar no estado. Isto é, em todos nós (Nader). Dito de outro modo: é preciso melhor economia de mercado para que esta não faça um ‘travesti’ quer da liberdade económica, quer da liberdade política


publicado por psylva às 21:19
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