Sábado, 1 de Janeiro de 2005
Desejo para o novo ano
No ano de 2005 o défice das contas públicas vai ser eliminado e a ninguém faltará pão, as mulheres ficarão magras sem dieta e perfeitas sem bisturi, todas as empresas vão pagar impostos e estes vão ser aplicados em Saúde, Educação e Ciência...

... a pedofilia vai acabar e com ela muitos outros crimes, os homicídios, os roubos, as ofensas corporais e as violações, os aviões vão descolar a tempo e horas e as hospedeiras vão ser simpáticas, pessoas normais sucederão a Bush e a Sharon, a despoluição do Ave será total e os lixos tóxicos deixarão de estar escondidos algures onde ninguém vê, haverá paz no Médio Oriente e sensatez para os lados da Coreia, o politicamente conveniente vai dar lugar ao socialmente útil e a ”má moeda” vai sair de circulação, o Benfica sem Argel vai ganhar o campeonato nacional, o campeonato europeu, o campeonato mundial e tudo o mais que houver, o tabaco vai ser bom para a circulação e o alcool regenerador para o fígado, José Saramago regressará a casa e junto com Phillip Roth, Tom Wolfe, Martin Amis e João Ubaldo escreverão como polígrafos as páginas do nosso desassossego, uma mulher será eleita para a Presidência da República, toda a ceia de Natal vai ser regada com ”Barca Velha” e acompanhada de bacalhau de posta alta e perú de crista dourada, os juros vão descer e a produtividade disparar, a especulação financeira será destronada pela estratégia económica, Alberto João Jardim vai hibernar para Bangui, os ”patos bravos” serão abatidos pelos perseguidores da qualidade de vida, a Madeira financiará o FMI, a fórmula da fusão a frio será desvelada e a dependência petrolífera acabará, a dívida externa dos países subdesenvolvidos será remida, teremos muitos e bons alunos nas escolas e poucas filas nos hospitais, não haverá mais publicidade no correio nem telemóveis nos concertos, recitais, teatros e restaurantes, o desemprego vai diminuir e o ordenado mínimo triplicar, o único incêndio estival vai ocorrer na ”Quinta das Celebridades”, cada homem terá direito a uma modelo e cada mulher a um cavalheiro, o ”24 Horas” vai falir e a RTP terá lucro e charme, a cura do cancro, da morte súbita e da arrogância vai ser distribuída nas farmácias, a Constituição garantirá um mês de férias em Bali e outro em Aspen, todos os pediatras atenderão às urgências dos pais e de cara alegre, não mais se morrerá nas estradas nem se desesperará no trânsito, os polícias serão atléticos e prestáveis, o fim-de-semana passará a ter três dias, elas serão duras sem silicone e eles sem prescrição médica, jamais se passará o Natal a comprar tudo o que não presta para se dar a quem não precisa, o trabalho será um prazer remunerado, ninguém mais cuspirá para o chão, alguns políticos e futebolistas vão aprender a conjugar o verbo ”intervir”, as sentenças judiciais serão justas e rápidas, o ”cepticismo militante” abondonará as minhas crónicas. ‘Certum est quia impossibile est’? ”Fomos feitos para a esperança no milagre” – disse Vinicius de Moraes –, nem que seja por... um só dia! Bom ano.


publicado por psylva às 22:33
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