Sábado, 1 de Janeiro de 2005
Custo de vida
Os países: Alemanha, R.U., Espanha, Itália, Áustria, Portugal, França, Holanda e Bélgica. Os produtos: desde material audio, de video e fotográfico, a máquinas de barbear, produtos de higiene, calçado e confecções, passando por relógios, lazer e bricolage.

Conclusão? Lisboa (index de 105) é ‘ex-aequo’ com Paris (!) a terceira capital mais cara. Abaixo de Haia (106) e Bruxelas (108). Acima de Viena (104), Roma (104), Madrid (101), e Berlim e Londres (100). Num índice de 100 (mínimo) até 108 (máximo).

Eurostat. Na classe alimentação, bebidas e tabaco, os portugueses pagam +11% que os espanhóis. Grécia? 2% mais barato que Portugal.

Novidade? Não. De facto, desde o “Portugal Europeu?” com M. Frasquilho e M. Jorge que tem sido questionada a ideia, antiga, generalizada e errada, de que – por ter os mais baixos salários da UE-15 – os seus preços portugueses também o seriam proporcionalmente. Não é verdade. Andam perto da média. E ao fim e ao cabo nada existe aqui nada de surpreendente. Porque haveriam os preços portugueses de ser os mais baixos europeus? Porquê surpreender-nos com o natural?
Não é só (nem sobretudo) o problema do IVA ou outros impostos (sobre automóveis, etc.). Há muitas outras causas. Em muitas empresas portuguesas o seu diferencial de produtividade face às estrangeiras é maior que o salarial. Logo, para sobreviver há que subir os preços.

As multinacionais, essas têm a produção centralizada em umas poucas grandes fábricas servindo toda a Europa. Localizadas geralmente no centro europeu, chegar a Portugal representa custos de transporte mais altos. Depois, além dos fornecedores (portugueses e estrangeiros) há a distribuição. Mais concentrada em Portugal que em Itália, Espanha e Alemanha.

Na formação dos preços, a lei proíbe – sob a acusação de ‘dumping’ e a pena de multas – que as verbas dos contratos anuais entre fornecedores e distribuidores (para topos, aberturas, aniversários, entradas em linha, revistas, etc.) sejam considerados como verdadeiros descontos e consequentemente abatidos nos preços de venda.

Seguem-se outros custos: invisíveis (os atrasos nos licenciamentos); visíveis (o preço do imobiliário e construção civil); e o arcaísmo de muitas lojas de proximidade: sem optimizar a sua ligação a centrais de compras, o que lhes permitiria praticar preços muito mais competitivos.

Quem paga tudo isto? O consumidor português. Por isso as cervejas, bolachas e outros bens de consumo de marcas portuguesas são mais baratos em Rosal de la Frontera do que em Serpa. Em Ayamonte do que em Vila Real de Santo António. Em Tuy do que em Valença.

E, assim, os portugueses além de mal pagos são bem apreçados. Facto que há muitos anos, dezenas de milhares de donas de casa que atravessem a fronteira já sabem. E facto que, recentemente, até alguns economistas estão a acabar por descobrir.

Lembrando que, como dizia Edgar Allan Poe, para alguns o mais difícil é ver o óbvio.



publicado por psylva às 22:22
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