Terça-feira, 14 de Setembro de 2004
«Homo economicus» só existe na Amazónia
O «homo economicus» só existe na Amazónia. Esta foi uma das conclusões de um estudo de economia experimental realizado em várias partes do mundo que pode ler-se na obra «Foudations of Human Sociality», de Henrich, J., R. Boyd, S. Bowles, C. Camerer, E. Fehr, H. Gintis,.

A experiência é baseada no Jogo do Ultimato concebido por Werner Güth, um investigador alemão que nos próximos dias 17-18 irá participar no Seminário «Morality, Norms and Economics» que terá lugar no ISCTE. A experiência consistia em atribuir uma determinada quantia a uma pessoa, que teria que distribuir uma percentagem dessa verba a um segundo elemento. A condição para os dois indivíduos ficarem com o dinheiro é que o segundo aceite a percentagem determinada pelo primeiro. O doador terá, assim, que determinar um valor que seja aceitável para que ambos ganhem.

O curioso é que apenas numa tribo da Amazónia os doadores ficavam com a quase totalidade da verba, concretizando assim o princípio da racionalidade económica da teoria do «homo economicus. No Ocidente, a divisão aproxima-se normalmente dos 50%/50%.

Este é apenas um resultados experimentais analisados por um grupo de investigadores portugueses do Dinâmia - ISCTE que está a coordenar um estudo de economia experimental, numa rede que inclui o FORUM - Universidade de Paris X e a universidade italiana de Teramo, financiado por fundos europeus do 5º Programa - Quadro da União Europeia.

Chama-se «The Normative Dimensions of Action and Order. The Economics of an Inclusive Europe (NORMEC)». As primeiras conclusões põem em causa o modelo do «homo - economicus», que considera que o interesse próprio é a única motivação dos agentes económicos.

Existem outras motivações para a acção.

Por exemplo, se a forma de distribuir os incentivos for considerada injusta,
pela maioria das pessoas, a disponibilidade para participar no trabalho de equipa será menor.

A «acção colectiva», na perspectiva do «homo economicus» não é possível sem incentivos que apelem ao interesse individual. Mas para estes investigadores, a comunicação é um factor que «pode viabilizar a acção colectiva» mesmo sem incentivos. Mas há outros que a podem inviabilizar. Como a injustiça das regras de repartição A teoria tradicional estabelece que «o indivíduo só coopera se houver um incentivo individual com implicações materiais», recorda Castro Caldas, um dos coordenadores do estudo. Uma teoria que as conclusões deste trabalho contrariam.



A minha opinião:
Simplesmente, o que se prova é que os payoffs (função felicidade) dos agentes podem não ser únicamente determinados por questões materiais. Mas tal não implica que esses motivos sejam de solideriedade social como os investigadores querem aparentar ser.


publicado por psylva às 14:19
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