Terça-feira, 19 de Dezembro de 2006
Empresas só mudam preços uma vez por ano

Amaior parte das empresas não revê ou aumenta os preços mais do que uma vez por ano e metade procede à revisão do "preçário" independentemente das "condições económicas prevalecentes". Na fixação dos preços, os empresários e gestores parecem ser influenciados pelos chamados "contratos implícitos" entre as suas empresas e os clientes e, em regra, demoram algum tempo a reagir a "choques da procura". Estas são as conclusões de um estudo sobre o comportamento das empresas na determinação dos preços, conduzido pelo Banco de Portugal, junto de 1370 empresas, no final de 2004. Os resultados, analisados pelo economista Fernando Martins, do departamento de estudos do banco central, são surpreendentes.

A radiografia à típica empresa a laborar em Portugal indica que o principal produto produzido ou vendido representa, em média, 80% do volume total das transacções e, para 75% das empresas, o mercado nacional é o principal destino dos seus produtos. O grosso das vendas, cerca de 84%, destina-se a outras empresas e apenas 13% do negócio é vendido directamente aos consumidores.

O "envolvimento" e o "peso" dos clientes, principalmente os "mais antigos", nos negócios das empresas, é notório: cerca de 83% das empresas nacionais apresentam uma relação de longo prazo com os seus clientes, podendo mesmo interferir com as estratégias de preços. É que este tipo de clientes absorve, em média, 75% das vendas totais das empresas. Na indústria transformadora, a classe dos "clientes antigos" chega a ser responsável por 84% das vendas.

Nas empresas em que se verifica uma relação mais duradoura com os clientes, as revisões dos preços - e eventual aumento das tabelas - são menos frequentes. De facto, a existência de "clientes antigos" parece funcionar, afirma o estudo, como uma espécie de "contrato implícito". As empresas, reagindo aos custos de prospecção de mercado, parecem procurar a lealdade dos clientes. O resultado deste "acordo informal" entre as firmas e os clientes leva a uma menor flutuação dos preços dos produtos.

O grau de concorrência é um factor que influencia a estratégia de preços das sociedades. Isto faz parte do mercado e vem nos livros escolares. No âmbito do estudo do banco central, um inquérito realizado às firmas "aponta para um grau de concorrência elevado". De facto, 56% das empresas presentes em território nacional lidam com mais de 20 concorrentes e 53% possuem uma quota de mercado inferior a 5%.

Existem mais provas de que o mercado é concorrencial. De acordo com o inquérito, a maioria dos empresários e gestores (67%) afirma que, se os preços do seu principal produto aumentassem 10%, então as quantidades vendidas diminuiriam em mais de 10%. "No entanto", conclui o economista Fernando Martins, "apesar do forte grau de concorrência, a maioria das empresas parece conservar alguma autonomia na definição do respectivo preço".

Os resultados do estudo também mostram que "em condições normais" mais de metade das firmas (55%) em Portugal revêem os preços com base em "regras temporais". Ou seja, a revisão dos preços "não depende das condições económicas existentes", mas de datas previamente fixadas.

Embora 19% destas empresas admitam passar a adoptar preços de mercado, caso as condições se "alterem significativamente", na Europa do euro, apenas 33% das empresas admitem seguir "regras temporais". O estudo conclui que o comportamento das empresas portuguesas é influenciado pelos custos "não negligenciáveis" que as firmas têm na revisão dos preços. De qualquer modo, as "condições específicas dos mercados" parecem influenciar mais a mudança de preços na indústria do que no sector dos serviços.

Mais de metade das empresas procedem à revisão dos preços com base em "regras temporais". Destas, cerca de 47% procedem à revisão da tabela de preços "no máximo uma vez por ano". Apenas 5,1% das empresas "revêem os preços mais de uma vez por mês".

Cerca de 80% das firmas afirmam que é indiferente o mês em que se processa a alteração dos preços. Mas a verdade é que 45% das empresas alteram os preços em Janeiro, quando já é perceptível a amplitude nos aumentos dos salários. O estudo, conduzido pelo economista Fernando Martins, realça que o grau de sincronização entre aumentos dos preços e dos salários parece ser alto. Em Março, tradicional na decisão de alterações salariais, é também época de aumentos nos preços. C






publicado por psylva às 09:24
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