Encontra-se em fase de implementação o programa de reconversão profissional para jovens licenciados em situação de desemprego, que permitirá, num espaço relativamente curto, a obtenção de uma segunda licenciatura em áreas de empregabilidade assegurada.
Contudo uma análise detalhada do quadro revela situações como as seguintes (apenas a título de exemplo):
– Na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro existem 10 vagas em Economia destinada a licenciados nas áreas do Direito, Sociologia ou Relações Internacionais. Daqui se concluiria que Economia seria uma área de elevada empregabilidade. Contudo na mesma Universidade existe uma licenciatura em Trabalho Social destinada a reconverter, entre outros, licenciados em Economia.
– Em quase todas as Instituições de Ensino Superior Público existem cursos destinados a reconverter licenciados em Relações Internacionais o que nos leva a concluir que esta é uma licenciatura de baixa empregabilidade. Contudo na Universidade Lusíada existem 20 vagas, 8 com direito a bolsa paga pelo Estado, para obter uma licenciatura em Relações Internacionais.
– Na Universidade de Coimbra existem 4 vagas em Arquitectura, destinadas a reconverter licenciados em Arquitectura.
De acordo com a informação disponível no mesmo site poderão ser apoiados, através da concessão de bolsa, 1067 alunos: 864 no ensino público e 203 no ensino não público. Dado a bolsa corresponder ao valor do salário mínimo nacional acrescido do valor das propinas, isto significa que o Estado poderá gastar com este programa mais de 5 milhões de euros. Valor que me parece demasiado elevado para um programa de resultados tão duvidosos. A não ser que o que se pretenda seja atingir outros objectivos como seja, por exemplo, financiar extraordinariamente algumas Escolas do ensino superior.